11 out, 2018 - 13:47
Em entrevista a Bola Branca, o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol justificou o motivo de ainda não ter ocorrido nenhuma "chicotada" na I Liga, já com sete jornadas de campeonato volvidas.José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, acredita que os dirigentes dos clubes já se aperceberam que os despedimentos numa fase tão precoce do campeonato não têm um resultado positivo, justificando o facto de, à sétima jornada, ainda nenhum treinador ter sido demitido.
Comparativamente a outros campeonatos, onde Miguel Cardoso e Leonardo Jardim abandonaram os respetivos clubes em França, ou na II Liga, onde já ocorreram quatro "chicotadas", na I Liga, todos os treinadores ainda continuam em funções.
Em declarações a Bola Branca, José Pereira explicou o motivo: "As pessoas vão adquirindo experiência e chegam à conclusão que a maior parte das mudanças pouco ou nada resultam. Ainda estamos no início do campeonato e há sempre a expectativa de recuperação das equipas".
"Temos que reconhecer que as pessoas se vão apercebendo que essa não é a via indicada, principalmente tão cedo", reitera.
Ainda assim, o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol não se ilude, e admite que, mais cedo ou mais tarde surgirá a primeira "machadada": "Mas vão surgir situações em que os clubes se vão socorrer dessa "arma" para mudar o caminho que estão a seguir".
Na opinião de José Pereira, as mudanças de treinador estão também relacionadas com o poder fragilizado dos presidentes dos clubes:
"Comparando ao que se passava antes, os dirigentes estão quase que 'por favor' nos clubes, e não têm estatuto. Têm de se justificar às massas associativas, quando antes funcionava ao contrário, os adeptos até pediam para os presidentes ficarem nos clubes".
"Essa autoridade que vinha antigamente da personalidade do presidente, da forma de estar e de gerir, está diferente", rematou.