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Diretor clínico demissionário sai se orçamento não contemplar obras no hospital de Gaia

09 out, 2018 - 17:33

José Moreira lança “alerta” ao Governo, mas também a todos os partidos e deputados com assento no Parlamento.
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O diretor clínico demissionário do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNGE) reiterou esta terça-feira que mantém a sua intenção de demissão, caso o Orçamento de Estado de 2019 não contemple as "necessárias obras" desta unidade de saúde.

"A partir de dia 15 de outubro [data de entrega do Orçamento de Estado] se não vier lá algo para o Centro Hospitalar a decisão será abandonar o cargo, mas falo por mim, não pelos outros, mas atenção que não abandono o hospital, nem a sua gestão", afirmou José Moreira da Silva em conferência de imprensa, na unidade hospitalar.

O clínico salientou que, se no orçamento não vier inscrita a verba necessária para as obras a realizar no hospital, cerca de 50 milhões de euros, irá reunir com os restantes 51 demissionários – diretores e chefes de serviço – para tomar uma decisão, deixando claro que a sua intenção será demitir-se de funções.

José Moreira da Silva sustentou que o "alerta" não é apenas feito ao Governo, mas sim a todos os partidos políticos e deputados da Assembleia da República.

Além disso, o diretor clínico anunciou ter recolhido cerca de 300 assinaturas num abaixo-assinado para entregar ao bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, no final desta semana ou início da próxima.

"As assinaturas são de colegas especialistas onde deixam claro, no documento, estarem solidários com a posição tomada por mim e pelos 51 diretores e chefes de serviço demissionários", ressalvou.

Questionado pelos jornalistas sobre se entregou ou não um pedido formal de demissão, depois de o presidente do Conselho de Administração do centro hospitalar ter vincado nunca ter recebido nada a não ser uma carta sem remetente e destinatário, o diretor clínico assumiu que houve um "problema burocrático".

"Nós apresentamos um pedido conjunto de demissão, mas pelos vistos não foi um ofício considerado normal, nós entendemos que o ofício era normal e eles entenderam que não era normal, portanto, apesar de estar demissionários, não estamos demissionários", disse.

Admitindo que "não existe, de facto, um ofício a solicitar a demissão", José Moreira da Silva assumiu que o pedido deveria ter sido entregue com remetente e destinatário, o que não aconteceu.

"Não existe um ofício a solicitar a demissão, ao contrário do que foi enviado ao ministro da Saúde, secretário de Estado da Saúde e Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte com o nome de todos os demissionários", vincou.

A demissão do diretor clínico e dos diretores e chefes de serviço do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho foi anunciada a 5 de setembro, nas instalações do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, no Porto.

Os 52 profissionais redigiram uma carta de demissão em julho, altura em que ponderaram demitir-se, mas só no início deste mês concretizaram essa intenção.

Em conferência de imprensa, no Porto, o diretor clínico demissionário José Pedro Moreira da Silva apontou então como causas para a demissão coletiva as "condições indignas de assistência no trabalho e falta de soluções da tutela".

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