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Como homenagear um dos grandes feitos da História? Com o vinho “Fernão Magalhães-500 anos”

09 out, 2018 - 10:24 • Olímpia Mairos

A adega de Sabrosa já possui a marca de vinhos “Fernão Magalhães” e quer associar-se ao evento dos 500 anos da viagem de circum-navegação com “um leque de vinhos especiais”.
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“Estamos a fazer todos os possíveis para termos um vinho muito especial para uma ocasião especial”. A afirmação é da enóloga da Adega de Sabrosa que está a preparar-se para produzir o vinho oficial das comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, que arrancam em 2019.

O vinho vai chamar-se “Fernão Magalhães - 500 anos” e a patente já está registada.

Celeste Marques sublinha o “enorme orgulho em ter uma marca com um nome muito grande, um nome que foi muito importante para o nosso país, que reflete um dos maiores feitos da nossa história”.

A adega já possui a marca de vinhos “Fernão Magalhães”, e agora, “em coordenação com a Estrutura de Missão das Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação e com a Marinha Portuguesa”, quer associar-se ao evento dos 500 anos da viagem de circum-navegação com “um leque de vinhos especiais”, entre vinhos tinto, branco e do Porto.

Apesar de este estar a ser “um ano difícil no Douro e que se poderá traduzir numa quebra de produção a rondar os 30% para a adega de Sabrosa”, a preparação dos vinhos especiais “está a ser rigorosa” e requer a seleção das uvas pelas castas, graduação alcoólica e estado fitossanitário.

“A produção está a ser mais pequena, mas com qualidade. Os graus estão a ser bons, tudo na média dos 13, 14 e até 15 graus”, refere a enóloga.

E para produzir os vinhos “Fernão Magalhães - 500 anos”, além das castas selecionadas, Celeste Marques explica que é necessário também “muito controlo com as temperaturas, com a remontagem - operação que consiste em tirar o mosto em fermentação pela parte inferior da cuba para o lançar na parte superior da mesma vasilha, e extração da cor”.

A enóloga acredita que os vinhos de Sabrosa, concelho que reivindica ser a terra natal do navegador português, poderão “viajar por todo o mundo e seguindo a rota de Fernão de Magalhães chegarem aos países tocados na viagem de circum-navegação”.

À boleia de Fernão de Magalhães

A adega de Sabrosa, que comemora este ano o seu 60.º aniversário, iniciou em 2016 um projeto de exportação, não tem dúvidas que o nome do navegador português está a ajudar na internacionalização.

Natércia Veiga, do departamento de internacionalização, revela que neste período, a adega passou dos “3% para os 30% de exportações”, indicando que os principais mercados são o Brasil e os países europeus como a Alemanha, a Noruega e a Bélgica. A caminho do Equador vai, agora, um contentor dos vinhos.

A estratégia para o sucesso consiste em juntar “a história à inovação” e, para isso, a adega todos os anos lança novos produtos no mercado.

Os 60 anos, por exemplo, foram assinalados com um novo porto pink, que homenageou os antigos funcionários da instituição.

Nas suas instalações, a cooperativa recorre às novas tecnologias, mas mantém uma forma antiga de vinificar alguns vinhos.

Trata-se, segundo Celeste Marques, de ânforas argelinas [cubas de betão] auto-vinificadoras que “fermentam sozinhas”, podendo os visitantes ver “o mosto a fermentar, o que não acontece com as cubas de inox fechadas”.

E segundo Natércia Veiga, os visitantes param cada vez mais na adega para provar os vinhos e conhecer a história de Sabrosa associada a Fernão de Magalhães.

O navegador e a Associação Mundial Magalhânica

Fernão de Magalhães, o navegador responsável pela primeira viagem de circum-navegação, terá nascido, na primavera de 1480. Várias são as localidades do país a reclamarem serem a sua terra natal. A Wikipedia diz que foi em Sabrosa e naquele concelho do distrito de Vila Real não se admite qualquer outra hipótese.

Fernão de Magalhães notabilizou-se por ter organizado e comandado a primeira viagem de circum-navegação ao globo, ao serviço do rei de Espanha, alcançando o extremo sul do continente americano e atravessando o estreito que veio a ser batizado com o seu nome.

O navegador não terminou a expedição, uma vez que morreu nas Filipinas, em 1521, aos 41 anos, pelo que a viagem seria concluída pelo navegador espanhol Juan Sebastián Elcano.

As comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação do navegador português Fernão de Magalhães arrancam em 2019 e terminam em 2022.

No dia 12 de outubro, será lançada oficialmente, em Sabrosa, a Associação Mundial Magalhânica - REMAM. A apresentação decorrerá no Espaço Miguel Torga, em São Martinho de Anta, um local escolhido por agregar a universalidade de Miguel Torga ao pioneirismo de Fernão de Magalhães.

A Associação Mundial Magalhânica irá funcionar em articulação com outras redes existentes e a sua criação está inserida na estratégia nacional para as comemorações dos 500 anos da primeira circum-navegação à Terra, levada a cabo pelo navegador Fernão de Magalhães.

“A Associação tem como objetivo o desenvolvimento da economia à escala global, abrindo um novo canal de informação comum entre empresas e associações. Pretendemos a criação de uma plataforma comercial global, assente no conhecimento da tecnologia avançada e que permita potenciar os objetivos económicos das associações e suas empresas associadas”, refere Alberto Tapada da AETUR – Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes – instituição que lidera a comissão instaladora da Associação Mundial Magalhânica.

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