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"Viriato, olhó passarinho!" Produção fotográfica recria em Viseu lenda do herói lusitano

26 jun, 2018 - 15:16 • Liliana Carona

Fotografar Viriato? Será possível? Do tempo do Império Romano para o presente, o conceituado fotógrafo John Gallo propõe-se retratar em Viseu, a lenda de Viriato, através de uma produção fotográfica. E há um "casting" em aberto.

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Não há certezas sobre o ano em que Viriato terá nascido, mas sabe-se que foi na época de domínio do Império Romano na Península Ibérica. Muito antes, pois, da descoberta da fotografia. Mas, ainda assim, há quem pretenda ter uma foto de Viriato.

“É possível com muita produção, muitos adereços, cenários de época, garantindo que conseguimos retratar um cenário de época, com reservas, porque não há registos rigorosos de época”, diz à Renascença o fotógrafo John Gallo, que, juntamente com a produtora Chappa, decidiu recriar a lenda de Viriato numa produção fotográfica.

John Gallo é natural de Leiria, mas foi em Viseu que a estátua de Viriato lhe chamou a atenção. “Conhecia a estátua e olhava para ela muitas vezes. Foi uma das minhas inspirações. Entendemos que seria interessante fazer uma produção que mostrasse alguns dos momentos críticos e importantes da vida de Viriato”, explica o premiado fotógrafo.

A ideia é produzir 16 a 18 fotos da Lenda de Viriato, com que objetivo de "fazer uma exposição que circule pelo país, levando às escolas estas imagens e explicar às crianças quem foi Viriato”.

A cena do nascimento de Viriato (181 a.C.), já foi fotografada. O pão de bolota, típico da época, terá sido oferenda, certamente, bem como as uvas que a sua mãe provará depois de dar à luz. A parteira, uma amiga próxima da família, une-se ao esforço da mãe de Viriato neste momento único. O pai, de aspecto nobre, conforta a sua esposa, ansiando pela prole. Um filho - varão - descobrirá dentro de alguns minutos.

De carne e osso, este foi um homem que envolto em traição e guerra, que se sublevou ao invasor romano, lutando pela sua terra, pelo seu povo. Ícone da identidade portuguesa, herói homérico de uma época prosaica, Viriato está indelevelmente ligado a Viseu, independentemente dos factos históricos, mais ou menos discutíveis.

John Gallo já fotografou o nascimento de Viriato e também a sua faceta de pastor. Mas falta o Viriato guerreiro e outros episódios que constroem a sua lenda. As sessões fotográficas já começaram e o "casting" está aberto. Para participar “pode-se inscrever através do Facebook ou no 'site' 'Lenda de Viriato', que está aberto a toda a gente. Vamos fotografar o 'latrocinium', a guerrilha que celebrizou Viriato”, diz Gallo.

Dias 12 e 15 de julho, há nova produção fotográfica para a Lenda de Viriato. Se acha que o papel de guerreiro lhe assenta que nem uma luva, pode inscrever-se no "casting".

Este projecto pretende elevar a figura de Viriato a um estatuto quase lendário, ligando-o de forma emocional à cidade, mimetizando um pouco a ligação de Robin Hood a Nottingham. Com a produção de 12 a 18 fotografias épicas de seis momentos-chave da vida de Viriato, pretende-se elevar Viriato, materializando, a um estatuto de herói mítico, reforçando a sua ligação milenar a Viseu.

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