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Pilotos “não estão tranquilos” com solução para o novo aeroporto de Lisboa

15 mai, 2018 - 13:31 • Sérgio Costa

Há um estuário e o aeroporto fica do outro lado do Tejo. E por isso a Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea não está tranquila quanto à forma como todo o processo está a ser gerido.

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A Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA) diz “não estar tranquila” com todo o processo que envolve a avaliação da opção “Montijo” para a expansão do aeroporto de Lisboa. A associação diz não ter sido informada do estudo de impacto ambiental que viabiliza construção do futuro aeroporto no Montijo, apesar de fazer parte do grupo de trabalho constituído pelo governo.

“Nunca estivemos tranquilos com este projeto", defende o presidente da APPLA, Miguel Silveira, em declarações à Renascença. "Quando há um rio que afasta as pessoas que vão chegar e que vão partir, um rio que afasta o aeroporto principal do novo aeroporto, e quando há um estuário colocado mesmo junto ao aeroporto, com as descolagens para Norte a serem predominantemente para dentro do estuário - onde estão aves migratórias - não podemos ficar tranquilos”, explica o responsável.

A associação percebe o impacto económico da decisão de expandir o Aeroporto da Portela, mas defende que a decisão precisa de uma avaliação que envolva todas as partes e que avalie as condições de segurança da proposta.

“Não estar tranquilo não é a mesma coisa que dizer que não estamos neste projeto e que não queremos atender aos interesses do Portugal, porque queremos. Mas segurança em primeiro lugar”, argumenta o presidente da associação de pilotos, que lamenta que o Executivo não tenha informado o grupo de trabalho para avaliar as opções. Em causa está o estudo de impacto ambiental que dá “luz verde” à opção pelo Montijo, estudo esse que os pilotos dizem não ter recebido.

“Não conheço nada deste estudo. Já ouvi críticas: ouvi que não é um estudo transversal e que há várias vertentes que não foram consideradas, mas não sei se é verdade, porque não o recebi”, revela Miguel Silveira, que entende que a APPLA deveria ter estado envolvida no processo “para saber o que estava em estudo”, da mesma forma que deveria ter recebido o documento “imediatamente” para que “pudesse ser considerado válido”.

O estudo de impacto ambiental é o terceiro passo em direção ao novo aeroporto. O primeiro foi dado em fevereiro de 2017, quando foi assinado um memorando de entendimento entre a ANA e o Governo; o segundo deu-se em outubro do mesmo ano, com a entrega da proposta de construção.

O futuro aeroporto deverá estar concluído em 2022, com um investimento de entre 300 e 400 milhões de euros. A ANA já entrou em negociações com o Governo para definir o modelo de financiamento.

Comentários
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  • Marga
    02 set, 2018 Alhandra 13:28
    E porque não se aproveitam as estruras das OGMA, em Alverca, a 15 minutos de Lisboa e ao lado do comboio? Não é possível? 😳
  • Manuel Fernandes
    17 mai, 2018 Barreiro 16:00
    Um atentado económico e ambiental. Um atentado à Saúde Pública de mais de 300.000 pessoas que vivem nas zonas a sobrevoar. Um atentado à Segurança Industrial pois a menos de 3 Km de distancia e mesmo no enfiamento da pista existe um complexo logístico (Alkion Terminal de Granéis Líquidos) e Petroquímico (Fisipe, Mundo Têxtil, NAP-Nitratos de Amónio onde são armazenados ou processados milhões de litros de combustíveis, lubrificantes e produtos químicos altamente inflamáveis (acrilonitrilo, ácido fosfórico, amoníaco...) (2 5 tanques enormes). Existe ainda uma Central Eléctrica Cogeradora de Ciclo Combinado alimentada a Gás Natural que ali chega por gasoduto, e uma ETAR (Barreiro - Moita) onde se produz biogás. Um Barril de "Pólvora" que pode explodir ao menor incidente aéreo. Incidente ou Acidente com alta probabilidade de ocorrer por falhas técnicas normais em aviação ou por colisão entre as aves de médio e grande porte e os aviões (flamingos, garças, gaivotas, colhereiros....). Um crime de Lesa Economia porque um AEROABORTO na BA6 nem 15 anos terá de durabilidade. E nem Carga Aérea vai processar (A ANA calculava em 280.000 toneladas/ano que qualquer solução aeroportuária deveria garantir, independentemente da solução adoptada (Rio Frio, OTA, Alcochete ou BA6). A Vinci empurra agora os Operadores de Carga Aérea para Espanha mesmo quando eles só querem usar Lisboa como placa giratória entre os Países Lusófonos. Um Atentado à Soberania Nacional e aos interesses estratégicos.

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