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Eutanásia

CDS. “Não se pode achar que as alternativas são estar em sofrimento ou ser eutanasiado"

03 mai, 2018 - 10:42

À Renascença, a deputada Isabel Galriça Neto lançou um desafio aos partidos da esquerda parlamentar.

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O CDS espera coerência por parte da esquerda quando for votado o texto final dos direitos das pessoas doentes em fim de vida.

“É isso que nós esperamos, em nome da coerência e da consistência de um processo que aconteceu ao longo de vários meses, com a audição de várias entidades, que corroboraram que uma lei desta natureza não colide com nada - antes reforça - e chama a atenção para os direitos de pessoas que estão muito vulneráveis e que muitas vezes não têm voz”, afirma a deputada Isabel Galriça Neto.

A deputada centrista diz que “o CDS pretendeu dar-lhes voz e chamar a atenção para [o facto de] que não se pode, hoje em dia, num debate que se quer sério nesta matéria, achar que as alternativas são estar em sofrimento ou ser eutanasiado”.

O debate no Parlamento sobre a morte medicamente assistida vai acontecer no dia 29 (data acertada na quarta-feira em conferência de líderes). Serão discutidos os projetos do PAN, do BE, do PS e do PEV.

Na véspera da votação na Assembleia da República do projeto centrista sobre os direitos em fim de vida, o CDS desafia os partidos da esquerda parlamentar a aprovarem o diploma.

O objetivo é criar condições que permitam às pessoas ter qualidade até ao fim da vida com uma aposta forte nos cuidados paliativos, para que qualquer pessoa possa viver a sua vida até ao fim com dignidade e sem dor.

“Há investigação que mostra que em Portugal – e o nosso conhecimento da realidade diz isso – continua a haver má prática e obstinação terapêutica e, portanto, esperamos que o facto de existir uma lei que condensa estes direitos seja mais uma chamada de atenção e possa corresponder a um passo em frente naquele que é o apoio que pretendemos para as pessoas que estão em fim de vida”, defende Galriça Neto à Renascença.

O diploma do CDS resulta de um conjunto de propostas apresentadas pelos centristas e transformou-se num texto comum, que prevê direitos em matéria de tratamento em doentes terminais, cuidados paliativos, não obstinação terapêutica ou tratamento que resulte em sofrimento prolongado.

Foi aprovado na comissão parlamentar de Saúde com os votos a favor de PSD e CDS e abstenção das bancadas de esquerda.

Na sexta-feira, o texto vai a votação final global.

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  • João Lopes
    18 mai, 2018 Viseu 13:02
    A eutanásia e o suicídio assistido continua a ser homicídio mesmo que a vítima o peça, tal como a escravatura é sempre um crime, mesmo que uma pessoa quisesse ser escrava! Com a legalização da eutanásia e do suicídio assistido, o Estado declararia que a vida de pessoas doentes e em sofrimento não lhe interessa, e não as protege. A eutanásia e o suicídio assistido são diferentes formas de matar. O parlamento, os tribunais, os hospitais, os médicos e enfermeiros, existem para defender a vida humana e não para matar nem serem cúmplices do crime de outros.