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Falta de dinheiro ainda deixa portugueses sem consultas e sem medicamentos

06 mar, 2018 - 06:35

Os portugueses faltaram quase seis dias ao trabalho em 2017, revela o estudo apresentado hoje, segundo o qual, apesar de tudo, o investimento feito no SNS permitiu reduzir o absentismo.

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Um em cada dez portugueses deixou de comprar medicamentos prescritos pelo médico por falta de dinheiro. Os dados são relativos a 2017 e constam do estudo elaborado pela escola de gestão de informação da Universidade Nova de Lisboa (NOVA IMS), que vai ser apresentado esta terça-feira.

De acordo com o Índice de Saúde Sustentável 2017, 10,8% dos portugueses optaram por não comprar algum medicamento prescrito pelo médico por causa do custo. Ainda assim, a percentagem é menor do que em 2016, ano em que foram 11,8% os portugueses que tomaram a mesma opção.

Na verdade, diz o estudo, a percentagem de doentes que deixam de comprar medicamentos por causa do preço tem vindo sempre a baixar, passando dos 15,7% em 2014 para os 14,2% em 2015.

Por outro lado, subiu a percentagem de pessoas que, no último ano, tomaram medicamentos prescritos pelo médico (86,7% para 89,1%).

Transportes caros afastam portugueses das consultas

Na primeira vez que o estudo da Nova, elaborado desde 2014, inclui o impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de saúde verificou que, no que se refere às consultas externas (hospitais), este impacto é quase o dobro do dos custos das taxas moderadoras.

Os portugueses faltaram a mais de meio milhão (539.824) de consultas externas/especialidade nos hospitais públicos no ano passado por causa dos custos da deslocação.

Outras 260.905 ficam sem utentes devido à conjugação dos custos de transporte com os das taxas moderadoras, o que faz ascender a um milhão o número de consultas por realizar nos hospitais.

Mas, mais uma vez, “as consultas, os exames e os episódios de urgência perdidos por via do valor das taxas moderadoras tem vindo a diminuir”, revela Pedro Simões Coelho, coordenador principal do estudo, à agência Lusa.

No que se refere às consultas com um médico de clínica geral ou de família num centro de saúde, o peso do custo dos transportes diminui. Nos centros de saúde, o motivo que levou à não realização de um maior número de consultas foi o custo das taxas moderadoras.

Foi também o custo das taxas moderadoras que inibiu cerca de 13,5% dos inquiridos a recorrer às urgências, o que resultou em 908.631 episódios de urgência por concretizar.

O estudo conclui, por outro lado, que apesar de os portugueses continuarem a considerar os preços das taxas moderadoras adequados, têm uma perceção errada dos valores, estimando, nalguns casos, custos acima dos reais.

Faltas ao trabalho não impediram poupança

Outra novidade do Índice de Saúde Sustentável 2017 é a medição o impacto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na produtividade dos portugueses, tanto sob o ponto de vista dos salários como do absentismo.

De acordo com o estudo, em média, os portugueses faltaram quase seis dias (5,9) ao trabalho em 2017, cerca de 2,6% do tempo total trabalhado, o que resultou num prejuízo de 2,1 mil milhões de euros.

No entanto, a prestação de cuidados de saúde através do SNS permitiu evitar a ausência laboral de quase dois dias (1,9) – o que significa uma poupança de 677 milhões de euros. Ou seja, se não tivessem sido prestados estes cuidados de saúde, o número médio de faltas ao trabalho ascenderia aos 7,8 dias.

A conclusão é que o investimento feito no SNS permitiu uma poupança de 3,3 mil milhões de euros na sequência da redução do absentismo.

Quanto à produtividade, foi avaliada a redução na produtividade tendo em conta situações de doença que poderão ter influenciado o desempenho de uma pessoa num dia normal de trabalho.

"Em termos de absentismo, concluímos que o SNS terá contribuído para uma redução do absentismo em média de 1,9 dias por indivíduo e que terá tido um impacto na produtividade que será o equivalente a 7,3 dias de trabalho não perdidos", afirma o coordenador principal do estudo.

“Combinando estas duas componentes [absentismo e produtividade], traduzindo em valor económico por via dos salários teríamos um impacto do SNS pela redução do absentismo de cerca de 700 milhões de euros e um impacto pelo aumento da produtividade de 2,6 milhões de euros. No total destas duas componentes, teríamos um impacto por via dos salários de 3,3 milhões de euros", explica Pedro Simões Coelho.

“Isto mostra que, no ano em que se investe na saúde, existe um retorno para a economia que será de 50% do investimento realizado, sublinha ainda.

SNS com menos despesas em 2017

Quanto ao índice de sustentabilidade do SNS, que tem em conta critérios como a qualidade (percecionada e técnica), a eficácia e o preço, subiu novamente, passando de 102.2 em 2016 para 103.0 no ano passado.

"É um pouco mais modesta do que a observada no ano anterior, mas reforça a subida", reconhece o coordenador do Projeto de Saúde Sustentável.

"Observámos uma variação positiva assente em duas componentes: a qualidade técnica do sistema (...), que evoluiu muito significativamente, e o deficit, que entre 2016 e 2017 desceu significativamente, na medida em que em 2016 rondava os 300 milhões de euros e em 2017 é de 230 milhões", acrescenta.

Segundo o estudo, em 2017 as despesas no SNS (9.77 mil milhões de euros) cresceram menos (2,8%) do que o financiamento (9.54 mil milhões), que aumentou 3,2%.

A acompanhar esta tendência está também o índice global do estado de saúde dos portugueses, que dos 73,1 pontos registados em 2016 subiu para 75,6 pontos -- numa escala de 0 a 100, em que 100 corresponde ao estado de saúde ideal.

"Se a este nível fosse retirado o contributo do SNS, o valor ficaria pelos 60,0 pontos, o que comprova que o SNS contribui fortemente para a perceção do estado de saúde dos portugueses", consideram os autores.

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  • VICTOR MARQUES
    06 mar, 2018 Matosinhos 12:10
    Falta de dinheiro???!!! Mas, os Estádios de Futebol estão quase sempre a abarrotar de gente!!!... "Mais vale um prazer na vida que dez Reis no bolso"! Os que "alimentam" os milionários da bola são uns beneméritos!... A saúde vem depois...