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Jerusalém desiste de cobrar imposto municipal a igrejas. Santo Sepulcro vai reabrir

27 fev, 2018 - 18:36 • Filipe d'Avillez

O primeiro-ministro de Israel criou uma comissão para tentar resolver o diferendo que levou as Igrejas cristãs a fechar um dos mais importantes locais de culto da Cristandade.

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O município de Jerusalém desistiu de cobrar um imposto municipal sobre terrenos das Igrejas cristãs que levou ao encerramento, em protesto, da Igreja do Santo Sepulcro.

Em causa estava a exigência por parte da Câmara de Jerusalém de que as igrejas paguem impostos municipais sobre terrenos que não são utilizados para atos de culto.

Mas perante o protesto das igrejas, o primeiro ministro Netanyahu anunciou a criação de uma comissão para moderar a crise e tentar encontrar soluções, segundo o jornal israelita "The Jerusalem Post".

As igrejas acolheram bem a proposta de mediação e esta terça-feira à tarde os franciscanos, que representam a Igreja Católica na custódia do Santo Sepulcro, anunciaram que a igreja será reaberta na quarta-feira, dia 28. Por resolver está ainda a existência de uma proposta de lei que permitiria ao Estado expropriar terrenos pertencentes às igrejas.

As discussões entre o Estado de Israel e as Igrejas arrastam-se há muitos anos e obedecem a um ritmo de altos e baixos, embora exista sempre tensão no ar. As relações entre as igrejas na Terra Santa e as autoridades são reguladas por um acordo conhecido como o Status Quo que data do tempo em que o território era controlado pelo Império Otomano. O acordo manteve-se intacto quando Israel nasceu e alargou o seu território ao longo das últimas décadas.

Ocasionalmente o Estado volta à carga, congelando contas das igrejas por alegadas dívidas fiscais, ou negando vistos de entrada a sacerdotes que procuram entrar em Israel.

Numa declaração conjunta, os líderes da Igreja Ortodoxa Grega e da Igreja da Arménia e o representante franciscano, lamentaram “a escandalosa coleção de notificações e penhoras de propriedades, recursos e contas bancárias de Igrejas, por alegadas dívidas de impostos municipais punitivos”, que consideram ser “uma tentativa de enfraquecer a presença cristã em Jerusalém”. A continuação desta política teria como maiores vítimas “as famílias pobres que terão de passar sem comida e sem abrigo, e cujos filhos não poderão ir à escola”, disseram.

A Igreja reivindica a isenção de impostos, ao abrigo do Status Quo, e dando como exemplo o trabalho que faz pelos pobres e ao nível da educação, no valor de “milhares de milhões”.

A Igreja do Santo Sepulcro é das mais importantes da cristandade. Os cristãos acreditam que foi lá que o corpo de Cristo foi sepultado e onde ressuscitou no domingo de Páscoa. O encerramento da Igreja ameaça ter impactos sobre o fluxo de turistas a Jerusalém, uma importante fonte de rendimento para o país.

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