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Papa aceita resignação de bispos contestado na Nigéria

19 fev, 2018 - 20:05

No ano passado Francisco fez um ultimato aos padres da diocese de Ahiara para aceitarem o bispo, apesar de a maioria ter acedido, a resignação de Peter Okpaleke foi aceite esta segunda-feira.

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O Papa Francisco aceitou a resignação de um bispo nigeriano que estava a ser contestado pelos sacerdotes da sua diocese.

O bispo Peter Okpaleke foi nomeado em 2012 para assumir as rédeas da diocese de Ahiara, mas foi imediatamente contestado pelo clero local, que exigia um bispo da mesma etnia.

Okpaleke é da tribo Igbo, enquanto a diocese de Ahiara está em território Mbaise. Os Mbaise contestaram a nomeação, alegando que a sua etnia estava sub-representada no episcopado.

A contestação foi de tal ordem que o bispo teve de ser instalado fora da diocese, uma vez que os fiéis e clero local bloquearam o acesso à catedral de Ahiara.

O problema manteve-se durante o pontificado do Papa Francisco mas no Verão de 2017 este decidiu tomar uma medida drástica e exigiu aos padres da diocese que desistissem imediatamente de resistir ao bispo, sob pena de serem expulsos do ministério. Cada um devia escrever uma carta, no prazo de 30 dias, a prometer “obediência total” ao bispo Peter.

A maioria dos padres aceitou mas muitos deles referiram, nas suas cartas, existirem barreiras psicológicas difíceis de ultrapassar ao fim de tantos anos de conflito aberto.

A questão abriu um importante debate na Nigéria, onde às diferenças religiosas – com a população dividida mais ou menos ao meio entre cristãos e muçulmanos e um historial de graves incidentes de violência inter-religiosa – vêm somar-se as diferenças tribais e étnicas.

Em Dezembro do ano passado outro bispo nigeriano, Joseph Bagobiri, de Kafanchan, escreveu uma declaração pedindo que as autoridades dessem ao povo de Ahiara, que é de esmagadora maioria católica, um bispo “próximo do seu coração”. Mas outros bispos discordaram, alegando que num país como a Nigéria isso abriria um perigoso precedente, com outras dioceses a exigir bispos da sua própria etnia.

Em 2012 a Renascença entrevistou o padre Michael Umoh, de Lagos, capital da Nigéria, que disse que o problema do tribalismo era um dos mais graves enfrentados pela igreja daquele país. “O tribalismo é um problema sério na vida nacional e da Igreja. É doloroso ver que há cristãos, mesmo em altas posições da igreja, que ainda precisam de ser convertidos. É um problema que deriva de falta de conversão. É um mal terrível.”

Contudo, neste caso o Papa acabou por ceder e perante o clima gerado na diocese acabou por aceitar a resignação de Okpaleke. O próprio bispo diz que esta é a melhor solução para a diocese. “Considero que a minha resignação da posição de bispo de Ahiara é a única verdadeira opção que resta para permitir a reevangelização dos fiéis e, mais importante e urgentemente, dos padres da diocese de Ahiara, sobretudo agora que o Santo Padre e os seus colaboradores na Curia Romana já podem distinguir entre aqueles padres que afirmaram a sua lealdade ao Santo Padre e os que decidiram optar por sair da Igreja Católica, em desobediência”, diz o bispo, em declarações citadas pelo site “Crux”.

O bispo convida os padres rebeldes a “reexaminar os motivos que os levaram a tornar-se padres na Igreja Católica. O arrependimento e a reconciliação são urgentes”, conclui, afirmando ainda que toda esta situação colocou em perigo a sua própria vida espiritual.

O Papa Francisco optou por não escolher um novo bispo, mas nomeou o bispo Lucius Iwejuru Ugorji, da diocese vizinha de Umuahia, como administrador apostólico, com plenos poderes.

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