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Seguro diz que “não teria negociado este memorando”

24 jun, 2014 • Raquel Abecasis

Em entrevista à Renascença, o secretário-geral do PS diz que recuperou a liberdade de dizer o que pensa. E critica memorando assinado por Sócrates.

Seguro diz que “não teria negociado este memorando”
Seguro diz que “não teria negociado este memorando”
António José Seguro assume pela primeira vez desde que é líder do Partido Socialista que o memorando de entendimento foi mal negociado por José Sócrates: “se me disser, se eu negociasse o memorando, se era este o memorando que tinha negociado? Claro que não era”. O Secretário Geral do Partido Socialista que agora diz ser “um pássaro fora da gaiola”, diz que “um líder do partido socialista não enjeita nenhuma da historia do partido”, mas adianta “eu não trago nenhum passado de volta".
António José Seguro assume, pela primeira vez desde que é líder do Partido Socialista, que o memorando de entendimento foi mal negociado por José Sócrates: "Se me disser, se eu negociasse o memorando se era este o memorando que tinha negociado? Claro que não era", diz o secretário-geral do PS, em entrevista ao programa "Terça à Noite".

Seguro, que agora diz ser “um pássaro fora da gaiola”, afirma que “um líder do Partido Socialista não enjeita nenhuma da história do partido”, mas também acrescenta: “Eu não trago nenhum passado de volta, estou concentrado no futuro”.

Estas declarações surgem numa altura em que Seguro assume que mudou a sua liderança. “Eu tinha um cuidado na utilização das minhas palavras e do meu discurso publico que hoje deixei de ter”, reconhece, adiantando: “Sinto que recuperei totalmente a minha liberdade para dizer tudo aquilo que penso sobre a situação interna do partido”.

António José Seguro diz que não se arrepende de ter rejeitado a proposta de Cavaco de um pacto político, feita há um ano. “Se eu tivesse feitio aquele acordo, hoje estava a um passo de ser primeiro-ministro, mas tinha traído as minhas convicções”, afirma o secretário-geral do PS, que confirma que na altura teve muitas pressões internas para que não houvesse entendimento com a coligação.

Para o líder do PS, não é preciso rever o tratado orçamental para cumprir as suas promessas. Se chegar a primeiro-ministro, garante, Seguro “nunca” será “um gestor de Bruxelas”.

Se houvesse debates não haveria incidentes
António José Seguro diz que incidentes entre socialistas, como os que aconteceram em  Ermesinde, em Braga e os que têm ocorrido nas redes sociais, “são censuráveis e deveriam ser evitados”, mas acrescenta que isto acontece porque, neste momento, não há debate de ideias.
 
“Compreendo que, quando António Costa não apresenta ideias diferenciadoras, seja difícil existir debate. Aliás,  por alguma razão ele tem recusado debater comigo nas televisões, que já propuseram esse debate. Julgo que, rapidamente, se ele aceitar esses debates, naturalmente as coisas confrontam-se onde devem ser confrontadas, isto é, no plano das ideias e das propostas”, afirma o secretário-geral do PS na entrevista ao Terça à Noite.

Seguro rejeita a ideia de que ficou agarrado ao poder.  “Eu tomei a iniciativa, isto é, apresentei uma solução para o problema que o António Costa criou”, diz Seguro, e essa solução, continua, são as eleições primárias a 28 de Setembro.

O líder socialista diz que as primárias não podem ser mais cedo porque as pessoas vão entrar de férias, respondendo assim ao pedido que lhe foi dirigido por um grupo de "senadores" socialistas.

Almeida Santos, Vera Jardim, Manuel Alegre e Jorge Sampaio escreveram, na semana passada, uma carta a pedir uma solução rápida da crise socialista. No entanto, na reunião da comissão nacional de domingo passado, foi rejeitada a discussão de um pedido de António Costa para a realização de um congresso extraordinário.

A realização de um congresso extraordinário, antecedido de eleições directas para secretário-geral, seria a forma mais rápida de resolver a crise espoletada pela manifestação de vontade de António Costa de concorrer a líder do PS. Mas para haver eleições directas seria necessário, como conclui o conselho de jurisdição do PS, que o actual líder se demitisse. E isso Seguro não faz.

Neste momento, António José Seguro reconhece que é  “um líder enfraquecido” e diz que o Governo está “muito mais tranquilo do que deveria estar”, mas a culpa, afirma, é de António Costa.

As eleições primárias vão servir para escolher o candidato do PS a primeiro-ministro. Mas Seguro já assumiu que, se perder as primárias, se demitirá da liderança.

O programa "Terça à Noite" é transmitido às terça-feiras, depois do noticiário das 23h00.