Conselho de Estado “não faz muito sentido”

20 mai, 2013

Daniel Proença de Carvalho considera que o Presidente da República perdeu margem de manobra por se ter colado excessivamente ao Governo.
O presidente da República convocou os conselheiros de Estado para discutir esta segunda-feira o país “pós-troika”, mas o antigo mandatário nacional de Cavaco Silva, Daniel Proença de Carvalho, considera que o tema escolhido é uma forma de fugir às questões do momento.

Em tom crítico, Proença de Carvalho admite, em declarações à Renascença, que o assunto proposto “não faz muito sentido”.

“Eu penso que é uma forma de fugir às questões candentes do momento. O Presidente da República convoca o Conselho de Estado, mas para um debate que não é sobre as questões que neste momento mais preocupam os portugueses e que estão na ordem do dia”, começa por dizer.

“Não sei se faz muito sentido, mas, enfim, o Presidente de vez em quando tem de reunir o Conselho de Estado”, referiu o advogado.

Proença de Carvalho diz também que o Presidente da República perdeu margem de manobra. “O Presidente perdeu margem de manobra na medida em que o entendimento geral da opinião pública é que se colou excessivamente ao Governo e os partidos da coligação.”

“Nesse sentido”, considera o ex-mandatário de Cavaco Silva, “a sua autoridade moral e a sua capacidade de intervenção estará diminuída, porque a imagem do Presidente não é a imagem de uma pessoa equidistante, que lhe desse autoridade para, por exemplo, procurar consensos mais alargados do que aqueles que resultam da actual coligação”.

A reunião do Conselho de Estado está agendada para as 17h00, hora a que, fora dos muros do Palácio de Belém, o movimento “Que se lixe a ‘troika’” promove um protesto.