Trabalhadores da Carris em greve no Natal e Ano Novo

09 dez, 2013

Efeitos começam a sentir-se logo na véspera, uma vez que as paralisações começam às 18h00 de dia 24 e de dia 31 de Dezembro.

A cidade de Lisboa pode ficar sem autocarros e eléctricos da Carris nas vésperas e dias de Natal e Ano Novo. Todos os sindicatos da empresa entregaram pré-aviso de greve para a quadra festiva, retomando o protesto contra o Orçamento do Estado e a greve ao trabalho suplementar e dias feriados.

Sérgio Monte, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), diz à Renascença que a decisão surgiu com mais força depois de os trabalhadores terem recebido o ordenado de Novembro, “onde foi pago o subsídio de férias e houve uma redução substancial do subsídio, em alguns casos, de mais de 30%”.

Por isso, na sequência dos plenários que foram feitos, os funcionários “mandataram os sindicatos para marcar greve nesses dois dias até porque muitos destes trabalhadores, como é sabido, não têm esses dias de folga”.

Tudo agora vai depender dos “serviços mínimos que forem decretados mas, em princípio, no dia de Ano Novo e Natal não haverá autocarros”, explica Sérgio Montes. Desta forma, acrescenta, os efeitos vão começar a sentir-se logo na véspera, porque a greve começa “às 18h00 do dia anterior e prolonga-se para o dia seguinte”.

Assim, os trabalhadores da Carris fazem greve a partir das 18h00 do dia 24 de Dezembro e até às 24h00 de dia 25 e a partir das 18h00 de dia 31 e até às 24h00 de 1 de Janeiro de 2014.

O anúncio de nova greve é feito após uma semana de greve ao trabalho extraordinário, que decorreu entre 1 e 7 de Dezembro. Sérgio Monte diz que a administração não quer negociar com os sindicatos e que estes têm cada vez mais dificuldade em travar a revolta crescente dos trabalhadores da Carris.

“Na Carris, infelizmente, a administração continua, não sei se por ausência de presidente se por outro motivo qualquer, sem querer chegar a um consenso com os trabalhadores que permita que as greves possam ser suspensas ou desconvocadas”, lamenta o sindicalista.

Sérgio Monte diz à Renascença que os “trabalhadores da Carris estão bastante revoltados, porque tem havido uma forte pressão sobre os tripulantes e o número de processos disciplinares tem vindo a aumentar drasticamente”. “Isto tem revoltado bastante os trabalhadores e os sindicatos até têm recebido propostas muito mais drásticas do que estas [greves].”

Na base do protesto  no sector dos transportes está a proposta de Orçamento para o próximo ano que  traz mais cortes salariais, a concessão  das empresas públicas a privados  e a redução das indemnizações compensatórias a pagar pelo Estado às empresas.

[Notícia actualizada às 23h12]