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Mirós do Estado Português no centro das atenções de coleccionadores em Londres

24 jan, 2014

Olivier Camu não comenta a polémica instalada em Portugal com a decisão do Estado vender estas obras, mas explica que, desde o anúncio a leiloeira, já foi contactada por interessados de todo o mundo, incluindo portugueses.

Estão desde segunda-feira em exposição em Londres as obras de Joan Miró que vão ser vendidas pelo Estado português.

Os 85 trabalhos, na maioria pinturas, vão ser leiloados pela Christie’s. O lote que está nas mãos do Estado desde a nacionalização do Banco Português de Negócios tem um valor de quase 37 milhões de euros.

As obras estão espalhadas por sete salas da leiloeira Christie’s, tantas como as décadas de trabalhos de Joan Miró representadas nesta colecção. Trata-se de um lote dos mais representativos de toda a obra do artista catalão, explica Olivier Camu, vice-presidente do departamento Impressionista e de Arte Moderna.

“Há trabalhos em papel, em telas de grandes dimensões, quadros de Celotex, e em madeira Masonite; esculturas e algumas tapeçarias, entre outras obras. Por isso é muito abrangente e reflecte muito bem a obra de Miró”, explica.

O representante da Christie’s diz que é a primeira vez que a leiloeira tem em mãos um lote tão extenso do pintor surrealista de uma só vez. Os 85 trabalhos que vão ser vendidos pelo Estado português eram, até 2006, de um japonês, que vendeu a colecção ao banco BPN.

Obras mais importantes como a pintura “Mulheres e pássaros”, de 1968, e a grande tela “Pintura”, de cinco metros de largura, valem juntas entre oito e 12 milhões e meio de euros, mas há trabalhos menos conhecidos, com valores que começam em 12 mil euros e que podem atrair novos compradores.

“Há, por exemplo, um pequeno trabalho que ele fez com o dedo em papel, nos anos sessenta, e que tem um valor estimado de 10 mil libras. É basicamente uma pinta cor-de-rosa e algumas linhas pretas. E ontem veio cá um homem que nunca comprou arte e que tem algumas poupanças e que estava seduzido pela exposição. Manifestou interesse em vários dos trabalhos marcados a 10 mil libras, é apenas um exemplo. Este lote está a atrair o interesse de pessoas que nunca compraram arte em leilão antes.”

Olivier Camu não comenta a polémica instalada em Portugal com a decisão do Estado vender estas obras, mas explica que, desde o anúncio a leiloeira, já foi contactada por interessados de todo o mundo, incluindo portugueses.

Os trabalhos de Miró, avaliados em quase 37 milhões de euros, vão ser postos à venda em três leilões, juntamente com outras obras de arte do Século XX, entre 4 e 5 de Fevereiro, em Londres.