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Lisboa acolhe ciclo de cinema sobre Portugal e o Holocausto

03 mai, 2013

Cinemateca vai passar filmes clássicos e raros sobre o Holocausto nazi. "Sob céus estranhos" e "Fantasia Lusitana" são as películas portuguesas deste ciclo.

Dez filmes em torno do Holocausto, sobre os campos de concentração, sobre as deportações e a II Guerra Mundial, integram o ciclo de cinema "Noite e Nevoeiro", que começa segunda-feira na na Cinemateca de Lisboa.

O ciclo, que se estende até ao dia 11, pretende "passar filmes clássicos, acessíveis a todo o tipo de público", "filmes raros sobre o tema do Holocausto, fuga e resistência, que de outro modo não seriam vistos", e "filmes portugueses sobre a temática", afirma a comissária da programação Anabela Mota Ribeiro, em comunicado. 
 
Todas as sessões contarão com a presença de convidados para falar sobre o tema, como os escritores Mário de Carvalho e Richard Zimler, o ensaísta Eduardo Lourenço, o reitor da Universidade de Lisboa António Sampaio da Nóvoa e a directora da Amnistia Internacional Portugal, Teresa Pina. 
 
O ciclo abrirá com três filmes polacos: "Majdanek" (1944), documentário de Aleksandr Ford sobre os campos de extermínio de judeus, "A última etapa" (1947), no qual a realizadora Wanda Jakubowska reconstitui a sua experiência em Auschwitz, e "A passageira" (1961), de Andrzej Munk, sobre a relação de um carrasco com um prisioneiro. 
 
Estão previstos ainda dois filmes portugueses: "Sob céus estranhos" (2002), de Daniel Blaufuks, sobre Lisboa - cidade de transição de judeus a caminho dos Estados Unidos -, e sobre própria família do autor, e "Fantasia Lusitana" (2010), de João Canijo, filme feito apenas de imagens de arquivo do tempo do Estado Novo e de excertos de textos de escritores que passaram por Portugal, durante a segunda grande guerra. 
 
Destaque ainda para o filme "Noite e nevoeiro" (1956), de Alain Resnais, que dá nome ao ciclo, "Os carrascos também morrem" (1943), de Fritz Lang, e "Hotel terminus" (1988), de Marcel Ophuls, documentário de mais de quatro horas sobre Klaus Barbie, conhecido como o "carrasco de Lyon", nazi que assinou a deportação e a morte de milhares de judeus. 
 
O ciclo termina com "Shoah" (1985), de Claude Lanzmann, com cerca de nove horas, composto por dezenas de entrevistas com sobreviventes do genocídio ocorrido durante a Alemanha nazi. 
 
Este ciclo acontece meio ano depois de Lisboa ter acolhido uma conferência internacional sobre o Holocausto, organizada pelas fundações Luso-Americana e Calouste Gulbenkian.