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Testemunha do caso Freeport ouviu conversas "informais” sobre pedidos de dinheiro

30 abr, 2012

Peter George foi consultor de estruturas e de meio ambiente e esteve envolvido no projecto de Alcochete desde o início.

O consultor ambiental do Freeport de Alcochete disse esta segunda-feira em tribunal não ter conhecimento de pedidos de dinheiro para a viabilização do "outlet" de Alcochete, mas admitiu ter ouvido conversas informais sobre o assunto.

"Quando estava sentado num bar a beber uma bebida à noite em Alcochete ouvia essas coisas, mas sempre achei que era uma brincadeira", disse Peter George quando questionado sobre se alguma vez tinha presenciado conversas informais "sobre pedidos de dinheiro para 'lobbying', financiamento de partidos políticos, membros do Governo ou entrega de envelopes castanhos".

A testemunha, que falava perante o Tribunal do Barreiro através de videoconferência a partir de Londres, não conseguiu recordar-se dos nomes das pessoas que terão presenciado aquelas conversas.

Peter George, que foi consultor de estruturas e de meio ambiente, disse ter estado envolvido no projecto de Alcochete desde o início, uma vez que trabalhava directamente para o Freeport.

A testemunha disse ainda que soube da substituição do gabinete de arquitectura Promontório pelo de Capinha Lopes e que trabalhou com ambos. Apesar de desconhecer os motivos da substituição ou quem a terá sugerido, sublinhou que a Promontório era "competente" para elaborar o projecto.

Em causa no caso Freeport está o alegado financiamento a partidos políticos. Os arguidos Charles Smith e Manuel Pedro são acusados de extorsão na forma tentada.