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Francisco Sarsfield Cabral

Irresponsabilidade e bom senso

10 jul, 2014

Quem não se opôs à enorme acumulação de dívida, utilizada em despesa pública – sem pôr a economia a crescer -, pretende agora não pagar ou pagar mais tarde, com menos juros.

Sucedem-se os artigos, os manifestos e até os livros sobre renegociar ou reestruturar a dívida do Estado. Quem não se opôs à enorme acumulação de dívida, utilizada em despesa pública – sem pôr a economia a crescer -, pretende agora não pagar ou pagar mais tarde, com menos juros, etc..

Mas é irresponsável, porque tal implicaria prejuízos para os credores. Deixaria de ser atractivo investir numa dívida que, pelo menos em parte, não seria paga.

Elisa Ferreira, uma competente eurodeputada socialista, avisa ser perigoso abrir um dossier destes a nível nacional, pois a solução terá de ser europeia. Falar em reestruturação é pisar um terreno frágil, alerta.

O ex-ministro das Finanças de Sócrates, Luís Campos e Cunha, vai mais longe, considerando “absurdo reclamar a reestruturação da dívida”. Ela significaria a queda do valor actual da dívida, implicando uma intervenção do Estado nos bancos e companhias de seguros, que detém muita dívida soberana portuguesa e ficariam à beira da falência com a reestruturação.

Valham-nos as vozes de bom senso onde campeia a irresponsabilidade.