Bispo do Porto critica “regressão de dois mil anos” na valorização da vida

01 jan, 2013

D. Manuel Clemente presidiu, esta terça-feira, à missa da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e do Dia Mundial da Paz, tendo alertado para os riscos que a vida humana corre quando é relativizada pelos valores da sociedade actual.
Bispo do Porto critica “regressão de dois mil anos” na valorização da vida
O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, lembra que a vida é o primeiro e mais inalienável direito de qualquer ser humano questiona os argumentos daqueles que classificam a despenalização do aborto como um avanço civilizacional.

“É muito estranho que alguém se lembre de apresentar hoje, como progressos civilizacionais, autênticas regressões de dois mil anos, desprotegendo a vida em todo o seu verdadeiro percurso, pré e pós-natal. Sobretudo, quando a ciência nos demonstra agora, com toda a evidência, o desenvolvimento de uma mesma vida desde o momento da sua concepção”, afirmou na homilia da missa da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e do Dia Mundial da Paz, a que presidiu na Sé do Porto.

Recordando o início do Cristianismo, afirmou que “a escravatura era uma realidade geral e aceite, o aborto prática corrente e o próprio bebé, já nascido, estava sujeito à vontade paterna para continuar a viver”. E acrescentou que “foi inegavelmente a progressiva expansão evangélica nas inteligências e nos costumes que conseguiu modificar positivamente as coisas, na legislação inclusive”.

D. Manuel Clemente alertou, por isso, para os riscos que a vida humana corre quando é relativizada pelos valores da sociedade actual que, no limite, põem em causa a própria paz.

“A fragilidade da vida uterina ou a fraqueza ou enfermidade que a atinjam depois são apelos a que corramos céleres, como os pastores do Evangelho, ao seu cuidado preciso, solidário e eficaz. Qualquer hesitação neste ponto, qualquer amolecimento cultural ou legal em relação a ele é absolutamente um atentado à paz”, defendeu.

“À paz das consciências que, quanto a isto, nunca adormecerão tranquilas – antes somarão pesadelos – e à paz das famílias e de sociedades inteiras se se contemporizarem com qualquer tipo de anti natalismo ou revolucionismo existencial”, concretizou.