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Meditando - 3 de Maio

03 mai, 2012

"Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou."


O poema “Livro de Horas” de Miguel Torga
é assim que começa.
É a confissão de alguém que soube encontrar
na poesia que fez sublimações etéreas
que o levaram
a nunca “algemar” Deus aos caprichos humanos,
como às vezes acontece com homens,
que como ele,
foram beneficiados com uma inteligência superior.

Me confesso o bom e o mau... o dono das minhas horas...
diz Torga, noutro passo do mesmo poema,
afirmando, depois, ser um anjo caído,
como se, no homem que havia nele,
o tal anjo caído fosse a imagem do anjo rebelde
que Deus deixou cair do Céu.

Que Nossa Senhora
neste mês de Maio agora começado,
se lembre do anjo caído que foi um grande Poeta
e, bem assim, de todos os homens,
que não sabendo de Deus,
tiveram a coragem de dizer:

Aqui diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.


Teodoro A. Mendes