Juvenal Silva Peneda

“Primeiro-ministro teve os seus critérios” para escolher Maria Luís Albuquerque

02 jul, 2013

Secretário de Estado que deixou o Governo por causa dos "swap" diz que a sua "saída foi com intenção de proteger o Governo e a mim" e que o caso de Maria Luís Albuquerque é diferente.

O antigo secretário de Estado adjunto do Ministério da Administração Interna, Juvenal Silva Peneda, afastado do Governo na sequência do caso dos contratos “swap”, considera que, se o primeiro-ministro decidiu substituir Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque, é porque não acredita que a polémica vá acompanhar o seu mandato e que a nova ministra vai ser capaz de enfrentar as dificuldades.

“A minha saída foi com intenção de proteger o Governo e de me proteger a mim. Se continuasse no Governo, na pasta com a sensibilidade que tinha, metade do meu tempo era para justificar o que tinha tido a ver com 'swaps' e coisas do género", afirma à Renascença.

“Seguramente, o primeiro-ministro tem critérios para considerar que não vai ser esse o caso com Maria Luís Albuquerque. Ela vai ter um fardo enorme de trabalho, a que se vai ter de dedicar a 100%, e, portanto, julgo que a avaliação feita permite a resolução do problema dos 'swaps' para que se possa dedicar a resolver os problemas do país”, acrescenta 
Juvenal Silva Peneda, que não mostra surpreendido com a nomeação da secretária de Estado do Tesouro para a tutela das Finanças.

Maria Luís Albuquerque toma posse esta terça-feira às 17h00. A mudança de titular implica a chamada de Joaquim Pais Jorge, actual presidente da Parpública, para a Secretaria de Estado do Tesouro, e de Hélder Reis para a Secretaria de Estado Adjunta e do Orçamento, para substituir Luís Morais Sarmento.

A falta de credibilidade política de Maria Luís Albuquerque já foi invocada pelo PS, que pediu uma reunião de urgência com o Presidente da República e convocou, para quinta-feira, a Comissão Política Nacional com o propósito de fazer a "análise do estado da nação". 

O CDS, por seu lado, parceiro de Governo, sublinha que Vítor Gaspar teve tarefa difícil e que as divergências com o demissionário ministro foram sempre de natureza politica.

Fora de portas, Bruxelas alerta que é preciso manter o rumo e envia uma palavra de confiança à nova ministra das Finanças.