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Médicos marcam greve para 11 e 12 de Julho

06 jun, 2012 • Dora Pires

No final de Maio, os sindicatos e a Ordem dos Médicos tinham comunicado que estavam alinhados e preparados para tomar uma posição de força, depois de o Ministério da Saúde ter decidido contratar médicos à hora pelo critério do mais barato.

Médicos marcam greve para 11 e 12 de Julho
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM), a Federação dos Médicos e a Ordem decidiram marcar greve para os dias 11 e 12 de Julho, contra a contratação de clínicos à tarefa por preços mais baixos. Só vai haver serviços mínimos.

Os desencontros com o Ministério da Saúde têm-se acumulado e “gota de água” foi o recente concurso para contratar 2,5 milhões de horas de trabalho médico a empresas de trabalho temporário e pelo mais baixo preço.

Em conferência de imprensa, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, manifestou a sua oposição a esta medida: "embora o ministro da Saúde se desdobre em profusas declarações públicas de suposto apego ao SNS, as medidas práticas em execução mostram que os resultados vão todos no sentido da sua integral destruição, colocando em risco a saúde dos portugueses”.

“A mais recente medida do Ministério da Saúde, ao publicar um concurso para entregar a empresas privadas a contratação de médicos dos serviços públicos, para além de pretender destruir  a contratação colectiva e as carreiras médicas visa eliminar também a qualidade e a segurança da profissão médica e dos cuidados prestados aos doentes”, acusou José Manuel Silva.

O bastonário diz que o caso sob investigação no Hospital de Torres Vedras, de um médico da urgência que terá feito abortos ilegais em troco de dinheiro, é uma amostra deste tipo de contratação, porque em causa neste caso está um médico tarefeiro.

Ladeado pelos dirigentes do Sindicato Independente dos Médicos e pela Federação Nacional dos Médicos, o bastonário declara abertas as hostilidades com o Ministério da Saúde, a quem acusa também de comportamento deplorável no processo negocial com os médicos.

O Ministério abriu recentemente vagas para algumas especialidades, mas ainda assim parece pouco.

Os médicos, ao mesmo tempo que anunciam uma mobilização nacional contra este contrato, admitem desconvocar a greve se o ministro Paulo Macedo voltar atrás.

No final de Maio, os sindicatos e a Ordem dos Médicos tinham comunicado que estavam alinhados e preparados para tomar uma posição de força, depois de o Ministério da Saúde ter decidido contratar médicos à hora pelo critério do mais barato, uma decisão que indignou não só os representantes do sector mas também os partidos mais à esquerda na Assembleia da República.

Já na semana passada, a Ordem dos Médicos avançou com providência cautelar para travar a prescrição por princípio activo, no úlitmo episódio de uma já recorrente situação de medida de forças entre os médicos e o Governo.

[notícia corrigida às 18h09]