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Pró-vida espanhóis criticam PP por recuo na lei do aborto

25 set, 2014

O movimento “Hazte Oir” contesta, no seu site, os argumentos usados por Mariano Rajoy para justificar o abandono da reforma da lei do aborto, que já levou à demissão do ministro da Justiça.

Pró-vida espanhóis criticam PP por recuo na lei do aborto
Os movimentos pró-vida em Espanha não se conformam com a decisão do Governo de abandonar a reforma da lei do aborto, que visava tornar a prática mais restrita.

Dias depois de centenas de milhares de espanhóis se terem concentrado, em Madrid, na Marcha Pela Vida, uma acção anual, o Executivo de Mariano Rajoy fez saber que a lei, afinal, não seria aprovada, apesar de ter maioria absoluta no parlamento. A decisão levou à imediata demissão do ministro da Justiça.

Nesse mesmo dia, milhares de pessoas manifestaram-se à porta das sedes do Partido Popular, um pouco por todo o país.

O partido publicou, entretanto, um artigo no seu "site", em que justifica a decisão, mas os argumentos não convencem os activistas pró-vida, que acusam Rajoy de traição às suas próprias promessas eleitorais.

Diz o comunicado do PP que o partido “fez um grande esforço para encontrar fórmulas de consenso”, mas que “não foram suficientes, pelo que neste momento não estão reunidas as condições para seguir em frente”. 

No site “Hazte Oir” (Faz-te Ouvir) responde, perguntando: “Não são ‘consenso suficiente’ os onze milhões de votos que receberam nas urnas, tendo este compromisso no seu programa? O próprio PP duvida da legitimidade e capacidade do Executivo? Não viram as centenas de milhares de cidadãos que se voltaram a manifestar no domingo na V Marcha Pela Vida?”.

O texto diz ainda: “O mandato dos cidadãos não é para o consenso, mas para legislar pela vida. Para isso obtiveram o ‘consenso’ de uma maioria absoluta de espanhóis, aí obtiveram o poder e a legitimidade para cumprir com o prometido”.

No documento publicado no site do PP, lê-se ainda que o Governo quis evitar “uma lei que outro Governo mude de um momento para o outro”.

Esta afirmação leva Gádor Joya, a porta-voz do movimento espanhol “Direito a Viver”, a concluir que "o presidente do Governo demonstra que não tem capacidade para impulsionar uma mudança social".

"Não é de confiança, porque se reconhece incapaz de aprovar leis que tenham permanência”, lê-se, em citação reproduzida no "site" do “Hazte Oir”.