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Paulo Rangel. Um “mau samaritano” que gosta do debate entre religião e política

18 jun, 2015

“Jesus e a Política - reflexões de um mau samaritano” é o título do mais recente livro do eurodeputado Paulo Rangel, apresentado na noite de quarta-feira, no Porto.

Paulo Rangel. Um “mau samaritano” que gosta do debate entre religião e política

Trazer para a esfera pública o debate entre religião e a política foi a intenção assumida por Paulo Rangel quando se lançou a escrever o seu livro mais recente.

Na apresentação de “Jesus e a Política - reflexões de um mau samaritano”, na noite de quarta-feira, no Palácio da Bolsa, no Porto, o eurodeputado explicou que a sua reflexão teve por base os quatro evangelhos, levando-o á conclusão de que Jesus não foi político nem a política compreendeu a sua mensagem, porque “a política não compreende Jesus, não digere Jesus, não consegue aliciar nem recrutar Jesus”, embora “intua e pressente que a sua aspiração à totalidade, a sua intenção à radicalidade a ameaça e põe em risco”.

No debate da última noite, no Salão Árabe da Bolsa, um dos convidados, o ex-presidente da Assembleia da República - e agnóstico - Jaime Gama não deixou de assumir um papel crítico, defendendo que a leitura feita pelo eurodeputado não permite a elaboração de uma Doutrina Social da Igreja.

“A leitura que é feita de Jesus por Paulo Rangel é uma leitura que ‘dessubstancializa’ a mensagem cristológica, que a torna excessivamente frágil, ao ponto de não permitir sequer a elaboração, por exemplo, de uma Doutrina Social da Igreja”, afirmou Gama.

Já o outro convidado, o católico João Gama, filho do antigo presidente da Assembleia da República, discordou de Paulo Rangel quando ele se intitula de mau samaritano. “Mau é o que não salva. Todo o político é um bom samaritano. Senão, não era político. Mesmo o pior político é um bom samaritano”, argumentou.

Na sessão de lançamento do livro esteve, a título pessoal, o primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho.