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Meninas e meninos: "Alice Vieira e Catarina Sobral, no palco da rádio!"

17 abr, 2015 • Maria João Costa

A escritora Alice Vieira e a ilustradora Catarina Sobral foram as convidadas do "Ensaio Geral" gravado ao vivo na Livraria Ferin, numa parceria com a Booktailors.

Num "Ensaio Geral" que falou ao ouvido dos mais novos juntamos a escritora Alice Vieira, autora do clássico "Rosa, Minha Irmã Rosa", e a ilustradora Catarina Sobral, que no ano passado venceu o Prémio Internacional de Ilustração na Feira do Livro de Bolonha - o principal certame dedicado à ilustração para a infância.

Alice Vieira confessou que escreve para "fazer as pessoas mais felizes". A autora de "Meia Hora para mudar a minha vida" explicou que quando escreve tem esse objectivo em mente. Fazer com que os leitores tenham "prazer na leitura" e mostrou-se preocupada com o desinteresse que encontra nos jovens em algumas das escolas que visita. A autora com mais de 30 anos de carreira diz-se mesmo "assustada" com a falta de interesse. Para Alice Vieira, "as pessoas desinteressadas são sempre presas fáceis".

Na cadeira do outro lado estava Catarina Sobral. A ilustradora, formada em design, defendeu que a ilustração ajuda a criar "hábitos de leitura". Em declarações ao "Ensaio Geral", nesta edição gravada ao vivo na Livraria Ferin, numa parceria com a Booktailors, a autora do livro "O meu Avô" explicou que a ilustração "trás pessoas para este prazer de ler livros" e acrescentou: "é um modo de começar a ler e a prenderem-se aos livros. Segundo Catarina Sobral, "a importância de pensar por imagens pode educar visualmente" e concluiu que os "livros ilustrados são a primeira forma de arte que uma criança vê e são uma forma de estarei atentas a outras forma de artes visuais".

Num programa com crianças sentadas no público, Alice Vieira explicou que escreveu o seu primeiro livro, "Rosa, Minha Irmã Rosa", com os dois filhos, "para ver se os calava". Foi um livro escrito "lá para casa", mas que se tornou um sucesso até hoje. A autora que visita em média 80 escolas por ano continua a ficar surpreendida pelas crianças continuarem a ler os seus livros "com mais de 30 anos" e sublinha que há referências que estão nos livros que as crianças hoje já não têm. "Isso é o que dá depois uma conversa muito boa" quando vai ao encontro destes mini leitores.

Também Catarina Sobral desde que venceu o Prémio Internacional de Ilustração em Bolonha que também se desloca a escolas. A ilustradora nota diferenças entre as escolas em que os professores trabalham os livros com os alunos e aquelas onde isso não acontece. Catarina Sobral explica que as escolas onde os professores trabalham os livros "vê-se logo na alegria com que os alunos mostram o que fizeram e na capacidade quando têm de interpretar as várias camadas do livro".

Num "Ensaio Geral" onde Alice Vieira explicou porque escreve com a fotografia de George Clooney à frente e onde contou porque continua a trocar cartas escritas com muitos dos seus leitores já adultos, ouvimos a autora do livro de poesia "O que Dói às Aves" explicar que começa sempre por escrever para si. Também Catarina Sobral afirmou que "parece um bocadinho egoísta, mas faço o livro que gostava de ler".

As duas convidadas que responderam às perguntas deixadas pelo colaborador do programa, Guilherme d'Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura, falaram ainda da relação que têm com os leitores.