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Manoel de Oliveira: 106 anos, 106 frases

02 abr, 2015 • João Carlos Malta

“Continuo a ser um aprendiz do cinema”. “Aturar-me a mim próprio é que é muito difícil”. “Penso que no país há uma grande indiferença pelo que já realizei”. “O que vejo em todos os meus filmes, sem excepção, é humanismo”. Recorde aqui ideias, desabafos e pensamentos do realizador mais velho em actividade, que morreu esta quinta-feira.

Manoel de Oliveira: 106 anos, 106 frases
A morte do realizador português provocou reacções nos mais variados quadrantes da sociedade, com o Presidente da República a recordá-lo como símbolo maior e o Governo a decretar dois dias de luto nacional. A Renascença faz um apanhado de 106 frases que marcam os 106 anos de um cineasta que assumiu que só descansava enquanto estava a “realizar um filme. São os momentos do meu descanso. Fora disso é um problema”.

1 – “O cinema só trata daquilo que existe, não daquilo que poderia existir. Mesmo quando mostra fantasia, o cinema agarra-se a coisas concretas. O realizador não é criador, é criatura”.

2 – “A liberdade impõe, logo de começo, o respeito pelo próximo. Isto pode explicar um pouco os limites da própria vida. Quer dizer, é preferível morrer a perverter a dignidade”.
 
3 – “A fome é o que nos garante a subsistência. Se não tivéssemos fome, não comíamos, não comendo, não sobrevivíamos. Se não tivéssemos o desejo, não teríamos a relação sexual e a relação sexual é que garante a continuidade da espécie. O desejo é uma coisa, a fome é outra. São os dois para a continuidade: um para a continuidade do indivíduo, o outro para a continuidade da espécie”.

4 – “Todos sabemos que vamos morrer. É a única certeza que temos. Não tenho medo da morte, tenho medo do sofrimento. É na vida que se encontram todas as maldades do mundo. A morte é o descanso” .

5 – “Continuo a ser um aprendiz do cinema, continuo a aprender muito e até com os artistas novos. No cinema cada realizador põe uma nova folha numa frondosa árvore, mas o que sustenta a folha não são os ramos, não é o tronco, são as raízes. É por isso que estimo a história e a memória. É fundamental para a nossa vida, para os nossos juízos”.

6 – “O homem é um bocado como o gato, fica preso às casas porque nelas se passaram histórias, e a casa é o guardião de todas essas histórias, problemas, alegrias, etc…” .

7 – “A santidade está ligada ao sentido verdadeiro de liberdade, é o desprendimento total das coisas terrenas. Agora, se está preso pelo dinheiro, por uma paixão, pelo desejo de uma mulher, por isto, por aquilo, anda sempre agarrado a esta porcaria que é o campo terreno”.

8   “A actividade do cinema  é uma actividade artística,  a última das artes, a Sétima Arte. E José Régio, por exemplo, dizia que o cinema era uma síntese de todas as artes. Mas o cinema, como todas as artes, está ligado à vida.  O que se exprime, ou o que as artes exprimem, de um modo ou outro, numa forma abstracta ou concreta, é a vida”.

9 – “A função da crítica é fazer compreender ao espectador os filmes, entendê-los. Mas para fazer compreender é preciso que eles os entendam; se não os entendem, também não podem dá-los a entender. Essa é a verdadeira função do crítico: apreciar os filmes”.

10   “Não olho para o que fiz. Olho para o que vou fazer”.

11 – “Não escondo que gostaria que [o meu acervo] ficasse no Porto. É a minha cidade. Onde nasci, vivo e, provavelmente, morrerei. O Porto é uma cidade riquíssima, o que a maior parte das pessoas, incluindo as Câmaras, ignoram” .

12 – “O meu cinema tem um lado histórico, incluindo o "Aniki Bobó" [1942], que se tornou um filme extraordinariamente popular. Mal principiado e bem acabado”.

13    “A memória falha-me muitas vezes. Mas será que devemos confiar na nossa memória?”.

14 – “O meu público é aquele que vai ver os meus filmes. O cinema dá-nos uma visão da vida. E a vida é um mistério”.

15 – “Todos os meus filmes mostram que, de facto, todos os homens entram em agonia no momento em que chegam ao mundo. Sou um grande lutador contra a morte. Passei a vida a observar a agonia, cada vez com mais experiência, com cada vez mais vontade de mostrá-la. Mas a morte acaba por chegar".

16 – "Enquanto criança, tinha uma inclinação para a tristeza e para a melancolia".

17 – “O Douro é um local verdadeiramente sensual".

18 – “Creio que o amor por uma paisagem pode ser sensual. Muitas coisas relevam da sexualidade. É um abismo. Mesmo a morte é um acto sexual, o mais virtuoso, o mais belo, o último”.

19 – “A ideia de felicidade não se vive. O momento de felicidade só é reconhecido mais tarde. Naquele tempo eu era jovem, um puto na força da vida. Hoje digo aos jovens, não tenham pressa. Mas esse é um tempo que recordo como um tempo de felicidade”.

20 –  “Quando nasci escrevia-se Manuel com 'o'. Eu fui registado com 'o'. E escrevia Manoel nos filmes, mas eles emendavam porque a ortografia moderna já era com 'u'. Umas vezes punham 'o', outras vezes punham 'u', até que eu impus: é 'o'! Tanto que nessa altura, quando já era mais conhecido, em França tratavam-me por Messieur de Oliveira, em Itália era Il Maestro e em Portugal era Ó Manel!”.

21–  “O público português estima-me muito. Aqui no Porto, em Lisboa ou noutros sítios, sou abordado constantemente por pessoas que me cumprimentam. Sou muito estimado. No entanto, é mais por aquilo que ouvem e vêem, mesmo que não percebam nada de cinema. Mas gostam de mim e eu gosto que gostem de mim”.

22 –  “Aturar-me a mim próprio é que é muito difícil. O resto são ajudas”.

23 –  “Todos os meus filmes foram mal acolhidos".

24 – “Os artistas não são vítimas, nem têm glórias. A única glória deixada ao artista é morrer de fome. Não é uma coisa desejada, mas já aconteceu várias vezes”.

25 –  “É a derrota. A vida é uma derrota. A gente vive na derrota. Nasce contra vontade, e não é senhor do seu destino”.

26 – “Penso que no país há uma grande indiferença pelo que já realizei. Tanto faz que o meu cinema exista ou não exista”.

27 –  “E uma das coisas que mais temo é perder a memória. A única ciência que tenho está na memória”.

28 –
“Tudo o que experimentei, vi, ouvi de pessoas muito interessantes, desde o início, está cá tudo. Foi através do seu saber que eu adquiri algum saber. Hoje vivemos muito mais ao acaso, a futuro incógnito. E os artistas não têm a ver com o futuro, o futuro é com os políticos. Os artistas terão que mostrar o seu resultado, bom ou mau” (2008).

29 – “O que vejo em todos os meus filmes, sem excepção, é humanismo. Tenho um profundo sentimento humanista. Isso é verdade”.

30 – “Fui educado catolicamente, mas esse sentimento não tem a ver com a Igreja, é de facto religioso. Quando fiz o ‘Acto da Primavera’ perguntei porque nele não entravam padres, e responderam-me que o Acto não tinha a ver com padres, mas com religião.


Cineasta durante uma conferência de imprensa, em 2008. Foto: João Relvas/Lusa

31–  “É verdade, sou muito levado por intuições. Fui um péssimo aluno, não fui muito além nos estudos”.

32 – “Em casa falta-me espaço, na vida falta-me tempo. E não posso dar remédio nem a uma coisa nem a outra”.

33 – “[Uma das minhas maiores alegrias é] sentir que os meus filmes são compreendidos, o que constitui uma satisfação profundíssima”.

34 – “Parar é morrer e isto é aplicável hoje. O pior de tudo é parar, quer dizer, não se fazerem coisas, não se fazer nada, ficar com medo, retrair-se”.

35 – “A televisão, que mostra sobretudo pornografia, ou violência, tiros, ‘mata e esfola’ é um dos maiores problemas contemporâneos. As mulheres trabalham e não estão ao lado dos filhos que ficam, sozinhos, a ver televisão. Hoje em dia há uma perda enorme de valores” .

36 –  “Se eu não tivesse atingido esta idade não apanhava esta quantidade de prémios que me começaram a dar agora, no final da vida”.

37 – “O cinema é imaterial, o teatro é material: os actores têm carne e osso, estão lá, vivos, nos cenários. Mas o cinema, não – é um fantasma da realidade”.

38 – “A arte, ou se gosta ou não se gosta, ou se entende ou não entende. Mas, de facto, há uma afirmação daquilo que é bom e daquilo que é mau através do tempo. É aquilo que resiste ao tempo” .

39 – “Às vezes acusam-me de que meus os filmes são muito falados. Ora, falados são os filmes americanos, e falam sem dizer nada. Ao menos os meus filmes dizem alguma coisa porque eu escolho textos ricos, bons, profundos, mais difíceis naturalmente”.

40 – “Um filme tem que principiar, uma casa tem que principiar, e principia por uma entrada. Escolhemos a entrada, depois um corredor, depois esta sala fica aqui, a outra deve ficar acolá. Transformamos isto em cenas para a organização dos planos. A aproximação, nesse sentido, entre arquitectura e cinema é perfeita”.

41 –  “Eu acho que no artista, e mesmo fora do artista, na vida, o subconsciente resolve muita coisa e trabalha tudo. E de vez em quando atira uma coisa para o consciente. Está tudo guardado nessa grande mala que herdamos, que vem no sangue”.

42 – “Nunca trabalhei tanto na minha vida. Mas também durmo. Durmo bem, embora me deite sempre tarde”.

43 –  “Acho que a música soa bastante melhor num filme romântico do que num filme realista”.

44 –  "Prefiro o paraíso pelo clima e o inferno pelas companhias".

45 – “Hoje a liberdade é tida como um direito absoluto. Mas não há liberdade absoluta. A liberdade não é sequer um direito. A liberdade é um dever, um dever fortíssimo. A liberdade é o respeito pelo próximo”.

46 – “É mais importante a saúde do que o dinheiro. Uma pessoa com saúde pode dormir na soleira de uma porta. E um ricalhaço doente pode não ter posição na cama”.

47 – “Eu não fui um bom piloto, mas há um lugar onde dirijo bem: o cinema”.

48 – “Aprendemos com o que vivemos, com o que sofremos, mas essa aprendizagem só se completa com o lado artístico".

49 – “O verdadeiro criador é inquieto. Inquietação é vida”.

50 –  “O cinema é mundano, por trás dele está a vaidade”.

51 – “Na vida material onde vivemos sabemos para onde dá a porta quando morremos: o cemitério. Espiritualmente, a morte é absoluta ou pendente?”

52 – “Porque todos os efeitos especiais pertencem à técnica, não à arte. Para além disto, sugerimos o inacreditável. Onde podemos ir mais longe do que aquilo que somos?”

53 – “Todos os realizadores são diferentes. E é assim que deve de ser. Felizmente o cinema ainda não foi atacado pela globalização. Pense na tragédia que isso poderia ser” .

54 – “Eu promovo as performances espontâneas. Os actores são o sal do filme. Eles dão corpo e voz às personagens e compõem a força do filme. É essa a razão porque a parte mais difícil de fazer um filme é a escolha dos actores” .

55 – “Fazer este filme [Velho do Restelo] é como ganhar uma batalha: É difícil. A conjuntura  económica trava e fragiliza a montagem financeira do filme".

56 – “Vivemos um  presente suspenso da realidade”.

57 – “Eu só descanso enquanto estou a realizar um filme, são os momentos do meu descanso. Fora disso é um problema”.

58 –  "Tenho uma ligação com a Alemanha na parte cinematográfica, na história da câmara e das máquinas. Tenho percorrido aqui muito tempo, nunca esquecendo os grandes mestres alemães como Fritz Lang, Murnau, Ernst Lubitsch, e os actuais como Wim Wenders, um homem extraordinário. O cinema de cada país não é este ou aquele realizador; não é singular, é plural”.

59 –  " É um erro fazer crer que o meu cinema é difícil. Isso não é verdade. Os meus filmes não são herméticos, pelo contrário são muito explícitos e claros. Por isso eles são para ser vistos por toda a gente e só não irá vê-los quem não quer”.

60 – "A intenção [de filmar até onde puder] é boa, agora quanto tempo demoro por cá... Não depende de mim. Nenhum de nós nasceu por vontade própria; a idade e a felicidade estão dependentes de forças obscuras que não controlamos. Não somos senhores do futuro".

61 – “Há uma fórmula que adoro, que li escrita no jornal a propósito de uma escultura em Modena de Donatelli, que dizia: 'ele consegue a simplicidade dos gregos e o realismo da Renascença'. Achei esta ideia magnífica: ser simples quer também dizer ser claro, e ser claro é trazer à superfície o que é mais profundo".

62 –  “Casai-vos e multiplicai-vos. Como é que se vai multiplicar homem com homem e mulher com mulher”.

63 – “Se Portugal desaparecesse, a língua portuguesa não desapareceria, por causa do Brasil”.

64 –
“Há sempre tempo para tudo”.

65 – “O mais longe que há é voltar a casa dando a volta ao mundo, não ir a casa do outro”.


Manoel de Oliveira durante a rodagem de "Espelho Mágico", em 2005. Foto: Andrea Merola/EPA

66 – “Tudo nesta vida que levamos tem uma duração estabelecida, um momento para acabar, incluindo os valores monetários, menos as histórias que contamos”. 

67 –  “As histórias que os livros nos contam duram para sempre e o mesmo espero das histórias trazidas pelo cinema”.

68 – “Os meus filmes falam sobre valores que vão além do dinheiro, em busca de saber se existe alma. O tempo eu sei que existe. E talvez eu filme como filmo para contemplar o tempo”.

69 –  “O cinema dá-nos a possibilidade de, a partir da câmara, repor a vida além da morte e simular a ressurreição, inclusive a dos grandes heróis da literatura”.

70 – “Ninguém nasceu por vontade própria. Fomos colocados cá por vontade do Criador, Aquele a quem chamamos Deus. Somos criaturas limitadas e, de certo modo, indefesas. Só sabemos que quando nascemos iremos morrer”.

71 –  “Todos os meus filmes são religiosos”.

72 –  “Desde os primeiros homens, esse impacto face ao universo e à criação que o rodeia coloca-nos o problema do Criador. A verdade é que a criação é um facto visível”.

73 –  “Se há uma coisa que nos torna pacíficos, para o bem e para o mal, é a morte”.

74 –  "É a minha casa. Continua uma cidade bonita, à beira-rio e à beira-mar. Eu nasci no Porto, cresci no Porto e continuo a viver no Porto. Até um dia. O dia que vem para todos".

75 – "Desconfio sempre da imaginação. (...) Todos os meus filmes são histórias de agonia, da agonia no seu sentido primeiro, no sentido grego, 'a luta'".

76 – “O cinema suplantou-a [a ópera], porque tem a mesma coisa, mas de um modo fantástico, quer dizer, imaterial. O cinema é imaterial, o teatro é material: os actores têm carne e osso, estão lá, vivos, nos cenários. Mas o cinema, não – é um fantasma da realidade”.

77 –  “Sou apologista da variedade, mesmo no cinema artístico. Penso que a personalidade do realizador é que é a marca da originalidade. Não há outra”.

78 –  “Lisboa absorve tudo. Não perdoa nem gosta do Norte”.

79 –
“Ser simples quer também dizer ser claro, e ser claro é trazer á superfície o que é mais profundo”.

80 –
  "Acossados pelas especulações da razão, sempre se levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho, que move montanhas".

81 –  "As artes desde os primórdios sempre estiveram estreitamente ligadas às religiões e o Cristianismo foi pródigo em expressões artísticas depois da passagem de Cristo pela terra e até aos dias de hoje".

82 – "A religião e a arte, ambas se me afiguram, ainda que de um modo distinto, é certo, intimamente voltadas para o homem e o universo, para a condição humana e a natureza divina". 

83 –  “A dúvida é um estímulo de procura. É difícil vencer essa procura. Ou, por outras palavras, é difícil encontrar o que se procura. É nisso mesmo, nessa dificuldade, que, quanto a mim, se resume o grande mérito”.

84 – "O cinema é o meu destino"

85 – “Não sou um homem de palavras, de resto; estou mais seguro quando faço cinema”.

86 – “O cinema é um fantasma da vida que não nos deixa senão uma coisa sensível, concreta: as emoções".

87 – "Os rituais são muito importantes. Sem eles, a vida seria indecifrável. O cinema não filma senão isso, um conjunto de signos, de convenções. A vida é um enigma, não é legível. São os rituais que nos permitem lê-la".

88 – "Os meus filmes têm histórias um pouco profundas, às vezes difíceis de compreender. Por isso, filmo-os da forma mais clara possível. É preciso que o cinema seja claro, porque tudo o resto (as paixões, a vida), não o é".

89 – “O sofrimento é uma coisa terrível. Eu não tenho medo da morte, mas temo o sofrimento”.

90 –  “A arte é especial. Há uma só lei: o tempo. O tempo é o grande juiz, é o grande juiz de tudo”.

91 – “A eternidade é parada”.

92 –  “Penso que sou mais admirado pela minha idade do que pelos meus filmes”.

93 –  “Recomendo a todos os meus amigos que vivam até aos 100 anos”.

94 – "Aos artistas não cabe governar o mundo. Os políticos preparam o futuro. Aos artistas cabe mostrar o futuro que encontram”.

95 –  “A Lusomundo ainda está no tempo do Salazar. Ainda não percebeu que houve o 25 de Abril".

96 –  “Os meus filmes são filmes pacatos, são mais profundos”.

97 –
“A maldade é perversa, agora a vaidade, sendo modesta, como no meu caso, não é grave”.

98 – “Estamos todos submetidos ao nosso destino, que é imprevisível”.

99 – “Quando hoje vejo os meus filmes fico espantado, pois acho que eles falam mais da actualidade do que quando os fiz. Mesmo muitos dos mais antigos”.

100 – “Agora sei que não posso filmar ideias, pensamentos, sonhos, recordações, como está na moda fazer. A única coisa eterna é o presente, o passado é memória”.

101 – “Julgo que a constância de certos dados, em toda a obra, é que marca a personalidade de um realizador - e não um ou outro filme”.

102 – “Não há criadores, há recriadores. Criador é um só, todos nós fomos criados. Toda a arte é um reflexo, um espelho, da vida. E nem o teatro faz isso como o cinema. Vê-se um filme passado numa certa época e essa época está lá retratada”.

103 –  “A falta de meios financeiros influenciou sobretudo pelo que não fiz, pelo que sabia não ter condições para fazer. Como no tempo de Salazar, em que eu não tentava fazer coisas que sabia de antemão serem cortadas pela censura. Portanto adaptava, se pudesse insinuava, de modo a poder passar”.

104 –  “Quer queiramos quer não, ela (a morte) chega um dia, embora geralmente as pessoas não tenham pressa e eu também nunca fui apressado na minha vida, talvez por isso tenha chegado a esta idade”.

105 – “Não aprovo muito que se chame públicos. Não há públicos, há pessoas. Os filmes que faço são os que entendo que devo fazer. É uma coisa pessoal. Gosto do cinema no seu aspecto artístico, não no aspecto comercial. Os filmes artísticos não têm por fim ganhar dinheiro”.

106 – “Eu acho que não há país no mundo mais internacional, mais universal, do que Portugal. Portugal está aqui, mas está também em qualquer lado”.