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Miguel Real

“Passos tem a ingenuidade de pensar que com ele Portugal está a começar de novo”

08 nov, 2014 • Maria João Costa

No Festival Literário que decorre em Belmonte até domingo escutaram-se este sábado críticas dos escritores à actual governação. Numa mesa de debate sobre viagens falou-se de política com os autores Miguel Real, Deana Barroqueiro e João Morgado.

São todos escritores de romances históricos, vinham falar de viagens no Festival Diáspora, de Belmonte, mas questionados sobre a actualidade acabaram a falar de política. Miguel Real, Deana Barroqueiro e João Morgado estiveram no auditório municipal de Belmonte a convite do Festival Literário Diáspora. Começaram por falar dos seus romances históricos, das investigações que os antecedem mas foram interpelados a olhar o presente.

Miguel Real, autor de “A voz da Terra”, um livro sobre o terramoto de Lisboa fez o diagnóstico da actual geração do poder. Considerou que “viveu um narcisismo extremamente agudo e uma abastança muito grande”, disse que “quando chegou ao poder não tinha dinheiro e privatizaram, cortaram e puseram o orçamento em ordem.” Miguel Real foi mais longe no seu retrato e acrescentou que “a ideia do Passos Coelho é que está a pôr a casa em ordem para começar de novo. E tem a ingenuidade de pensar que com a geração dele Portugal está a começar de novo”.

No auditório municipal, o autor e crítico literário Miguel Real disse ainda que só Mário Soares teria todos os ingredientes e daria uma boa personagem de um livro histórico daqui a 500 anos.

Já Deana Barroqueiro, autora de “D. Sebastião e o Vidente”, não vê qualquer interesse em escrever um romance sobre os dias de hoje. “A realidade que nos rodeia é pouco interessante, muito medíocre”, acrescentando que “estamos de novo um povo muito cinzento, sem força e muito calado”.

Opiniões expressadas num debate, com a moderação de Tito Couto, em que participou também o escritor João Morgado que em 2015 editará um romance histórico sobre Pedro Alvares Cabral, o navegador nascido em Belmonte que descobriu o Brasil. Morgado explicou quais são para si os desafios que Belmonte enfrenta nos dias que correm.

À semelhança de Portugal “andamos sempre a olhar para fora, muitas vezes subestimamos o que temos” disse o escritor que concluiu que “Belmonte terá também de ter atenção às pessoas que chegam, não poderá passar a vida a olhar para os que partiram, para os judeus que foram daqui para o mundo, para Pedro Alvares Cabral que foi descobrir o mundo. Belmonte tem agora o desafio de olhar para dentro e para fazer uma nova história que parta de si.”

O Festival Literário Diáspora continua até domingo. Para as 15 horas, de dia 9 de Novembro, está marcada uma mesa com a participação dos escritores Afonso Cruz, Bruno Vieira do Amaral e Valério Romão no auditório Municipal. O encerramento a cargo do escritor e jurista Álvaro Laborinho Lúcio será às 16h30 no auditório municipal e terá como tema “As Margens”.