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Morreu o escritor brasileiro Rubem Alves

19 jul, 2014

Escritor e educador, morreu neste sábado vítima de falência múltipla de órgãos.

Morreu o escritor brasileiro Rubem Alves

O escritor e educador Rubem Alves morreu este sábado vítima de falência múltipla de órgãos. Tinha 80 anos. A notícia é avançada pela edição "online" da Folha de São Paulo. 

Rubem Alves estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Centro Médico de Campinas, a 93 quilómetros de São Paulo.

Foi internado no passado dia 10 com um quadro de insuficiência respiratória devido a uma pneumonia. Na sexta-feira, o quadro clínico registou um agravamento das funções renais e pulmonares.

Um dos intelectuais mais respeitados do Brasil, Rubem Alves foi pedagogo, poeta, "filósofo de todas as horas" (como refere a biografia publicada no "site" do instituto com o seu nome), cronista do quotidiano, ensaísta, teólogo, académico, autor de livros para crianças e psicanalista.

Filho de uma família protestante, Rubem Alves estudou teologia no seminário Presbiteriano do Sul. Foi pastor de uma comunidade presbiteriana no interior de Minas.

Em 1963, viajou para Nova Iorque, onde fez uma pós-graduação e regressou à paróquia em Lavras, Minas Gerais, durante a ditadura militar, tendo sido perseguido pelos militares.

Exilou-se então com a família e foi estudar para a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, onde se doutorou. A sua tese foi publicada em 1969 com o título “'A Theology of Human Hope” (“Teologia da Esperança Humana”).

Segundo a edição “online” do jornal “O Globo”, regressou ao Brasil em 1968 e abandonou a Igreja Presbiteriana. Foi professor de filosofia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro (Fafi), actualmente Unesp, onde esteve até 1974.

Nesse ano, entrou para o Instituto de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde esteve até se aposentar no início da década de 1990. Exerceu ainda psicologia clínica, pois também se formou nesta área do saber.

Como escritor distinguiu-se pela autoria de diversas obras infantis, como "A Volta do Pássaro Encantado" e "A Pipa e a Flor" e escreveu ainda sobre teologia, filosofia, educação, além de crónicas.

É autor de "Tempus fugit", "O Quarto do Mistério", "A Alegria de Ensinar", "Por uma Educação Romântica" e "Filosofia da Ciência".

Num texto biográfico do seu “site” oficial, escreveu um trecho sobre a morte em que dizia: "Eu achava que a religião não era para garantir o céu depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos”.

Numa das suas últimas crónicas publicadas na "Folha de São Paulo" escreveu sobre a morte: "Odeio a ideia de morte repentina, embora todos achem que é a melhor. Discordo. Tremo ao pensar que o jaguar negro possa estar à espreita na próxima esquina. Não quero que seja súbita. Quero tempo para escrever o meu haikai."