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Prémio "Terras sem Sombra" entregue na Comporta

06 jul, 2013 • Ângela Roque

A Associação dos Arqueólogos Portugueses, um investigador angolano e um cantor lírico são os vencedores da edição deste ano do Prémio Internacional promovido pela Diocese de Beja.

O galardão foi criado no âmbito do Festival "Terras Sem Sombra", o maior Festival de Música Sacra do país e que desde 2003  promove concertos em igrejas históricas do Baixo Alentejo, em paralelo com actividades em defesa da natureza e da biodiversidade.

José António Falcão, director-geral do Festival, diz que o Prémio "reflecte este ambiente que vivemos, de primavera da igreja, em que se pretendem estabelecer pontes entre a cultura do sagrado e a cultura de uma sociedade mais civil e laicizada, mas nem por isso menos atenta aos valores espirituais".

Foi assim que, no campo da música, este ano o júri internacional do Prémio escolheu o cantor lírico italiano Enzo Dara, “uma grande referência do panorama da ópera, um cantor bem conhecido dos palcos internacionais”. No campo do património foi premiada a Associação dos Arqueólogos Portugueses, que está a comemorar um século e meio de actividade ininterrupta em favor do património, "não apenas no campo académico e da investigação, mas também na acção concreta, na protecção dos monumentos e na sua classificação", sublinha o director-geral do Festival, que  lembra ainda que "foi esta entidade que elaborou a primeira lista de monumentos nacionais a serem classificados e protegidos no nosso país".

Finalmente, no campo da conservação da natureza, foi distinguido um investigador da Universidade Católica de Angola, Pedro Vaz Pinto: “tem feito muito pela salvaguarda de uma espécie em extinção, a palanca negra, sobretudo a palanca negra gigante, que é um símbolo de Angola, e um dos animais mais raros neste momento", explica José Antonio Falcão.

Sobre o Festival, que se realiza há 10 anos, o responsável pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja faz um balanço muito positivo, sublinhando que é um “Festival de causas”, que tem ajudado muito a economia local: "Tem-se conseguido internacionalizar a nossa região, e também tem dado um contributo para o enriquecimento do seu tecido sócio-económico".

"Estes milhares de visitantes que vêm até nós, e também a divulgação que tem sido feita dos nossos monumentos, dos nossos produtos regionais, do que temos de melhor para oferecer - e aqui entra também em grande destaque a arte sacra alentejana -, tudo isto tem ajudado a dinamizar alguns sectores que, de outro modo, estariam a braços com uma crise ainda mais significativa", acrescenta.

O prémio "Terras sem Sombra" vai ser entregue este sábado às 18 horas, na Casa da Cultura da Comporta. O Festival, que arrancou em Abril, vai encerrar no próximo fim-de-semana com um concerto, dia 13, na Igreja Matriz de Sines, e uma visita, dia 14, às águas internacionais do porto local. Um exemplo de como é possível conciliar uma área industrial com a natureza: "as praias existentes no âmbito do Porto de Sines têm bandeira azul, realizam-se actividades de aquacultura nas suas águas, e se a água do mar pudesse ser consumida por nós, seria possível bebê-la", conclui José Antonio Falcão.