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Júlio Pomar

“Tentei constantemente que a minha vista tivesse motivos de festa”

21 jun, 2013

Artista revela que foi a mudança da Rua das Janelas Verdes para o Bairro Alto, e consequente perda da vista sobre o Tejo, que o levou a pintar.

“Tentei constantemente que a minha vista tivesse motivos de festa”
Se não tivesse ido viver para o Bairro Alto, Júlio Pomar confessa que talvez nunca tivesse sido pintor. Em entrevista ao programa da Renascença “Ensaio Geral”, dedicado aos 500 anos do Bairro Alto, Júlio Pomar explicou que foi o facto de ter ido viver para o Bairro que o fez desenhar.

Longe do Tejo, que sempre lhe encheu a vista, viu-se incentivado a criar as suas telas.

“Nasci na rua das Janelas Verdes [em Santos, Lisboa]. A recordação mais forte, que mais profundamente me marcou, foi ter nascido e ter vivido até aos sete anos num quarto andar com o Tejo em frente”, lembra.

“Não sei se tivesse continuado, se essa festa dos olhos não me tivesse sido arrancada, se não tivesse sentido essa falta, não sei se em vez de pintar não seria outra coisa. Mas acho que foi essa falta de ver, a falta do trabalho e da alegria do olhar, que fez na reclusão dos sítios onde já não se via o mar, via quatro paredes, tentar constantemente que a minha vista tivesse motivos de festa”, explica.

O pintor Júlio Pomar é um dos convidados do "Ensaio Geral" desta noite, gravado no atelier-museu do artista, onde a jornalista Maria João Costa conversou também com o fadista Hélder Moutinho e Helena Pinto, da comissão de comemoração dos 500 anos do Bairro Alto.

O programa pode ser ouvido na Edição da Noite da Renascença, depois das 23h00.