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O Super-Homem era judeu?

14 jun, 2013

De acordo com os livros originais, Clark Kent foi criado como cristão metodista, mas um jornal americano dá dez razões que apontam para uma identidade judaica do decano dos super-heróis.

O Super-Homem era judeu?
Do seu nome original à história da sua origem, o jornal americano “The Forward” dá dez razões para acreditar que o mais famoso dos super-heróis da banda desenhada era de facto judaico.

Embora haja referências claras ao Cristianismo de Clark Kent nas bandas desenhadas originais, o criador de Super-Homem era judeu e confessou, numas memórias não publicadas, que tinha sido fortemente influenciado pelo anti-semitismo, tendo baseado o super-homem em Sansão, a personagem bíblica de força sobre-humana que defendeu os israelitas dos seus inimigos.

Jerry Siegel era de um bairro 70% judeu em Cleveland e cresceu imerso na cultura judaica local. É natural, contudo, que tenha dado a Clark Kent uma identidade assumidamente cristã, para o tornar mais apelativo ao público em geral, mas há mais pistas que apontam para raízes judaicas.

Uma das mais evidentes é o nome original de Super-Homem, dado pelos seus pais ainda no Planeta Krypton. Kal-El tem uma sonoridade tipicamente hebraica, fazendo lembrar alguns dos grandes profetas, como Joel, Daniel e Samuel. Em todos os casos o sufixo “El” significa Deus. A palavra Kal, segundo o “The Forward”, é semelhante à palavra hebraica para “voz” ou “vaso”, pelo que Kal-El poderia ser traduzido como “A voz de Deus”.

Há ainda a história de como o Kal-El foi enviado do seu planeta antes de este ter sido destruído, salvando-se e sendo adoptado por uma família humana. Este relato é muito parecido com o de Moisés, também enviado pelos seus pais para evitar ser morto e salvo por uma família egípcia, que o criou. Como Moisés, Kal-el, que na Terra recebe o nome Clark Kent, apenas descobre a sua verdadeira identidade mais tarde.

Curiosamente, como aponta o jornal americano, os primeiros a notar os laços judaicos de Super-Homem foram os nazis. Em 1940, num artigo do jornal das SS, uma força de elite do III Reich, Jerry Siegel foi descrito como “um indivíduo circuncidado, intelectual e fisicamente, com sede em Nova Iorque”. O artigo conclui que tanto o autor como a sua criação trabalhavam em conjunto para “semear o ódio, a suspeita, o mal, a preguiça e a criminalidade nas mentes dos jovens americanos”.