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D. Nuno Brás

"O melhor Papa é o que o Espírito Santo escolher"

13 fev, 2013 • Ângela Roque

Bispo acredita que a escolha será certamente a melhor. Já Aura Miguel lembra as razões que levaram à escolha de Pedro para primeiro Papa.

O Bispo auxiliar de Lisboa diz que os cristãos podem confiar na escolha do novo Papa, porque será certamente a melhor. No debate desta quarta-feira, na Renascença, D. Nuno Brás lembrou que a decisão não está só nas mãos dos homens.

"O melhor Papa é aquele que o Espírito Santo escolher, ponto. É aquele que o Espírito Santo acha que é. E o Espírito actua através de pessoas concretas, não é que caia assim de repente lá de cima do céu aos trambolhões. Portanto aquele que os Cardeais escolherem é aquele que o Espírito indicou para conduzir a Igreja, será o melhor Papa", disse.

E o que será melhor para a Igreja: um Papa da Europa ou um Papa não europeu? Pedro Vaz Patto admite que um Papa de outro continente reforçaria a universalidade da igreja, mas não considera esse um factor decisivo.

"Essa é a questão que muita gente coloca, já se colocava quando foi a eleição deste Papa. Não será essa a questão decisiva, se é europeu se não é europeu. Serão características da personalidade em causa. O Cardeal Ratzinger não foi escolhido por ser alemão, podia ser italiano ou brasileiro. Poderá ter algum peso, evidentemente. A eleição de um Papa não europeu é um sinal da universalidade da Igreja, mas isso não significa que um Papa europeu não seja sensível a esta universalidade. É também um sinal de atenção àquelas zonas do mundo em que há mais vitalidade, em que a Igreja cresce. Esse é um factor a ter em conta, mas não me parece que seja decisivo", refere o juiz.

Para a jornalista Aura Miguel basta lembrar as razões que levaram à escolha de Pedro para primeiro Papa para perceber o que é importante:

"A mim o que me sustenta e ajuda é perceber o critério de Cristo para escolher Pedro. Pedro era um homem impulsivo, prometeu mundos e fundos, que O defendia, era só o que faltava ele ser crucificado que havia de O defender. Viu-se o que ele fez! Depois quando chegou a hora negou-O três vezes, que não O conhecia de lado nenhum. Eu acho fascinante este critério porque, segundo os nossos critérios humanos, o Papa seria João, que Jesus amava, que nunca tinha traído. Porque é que misteriosamente foi Pedro? Porque é o que mais ama. Ele, Cristo, conhecia os corações e percebeu que aquele homem que O tinha traído O amava, e foi ele o primeiro Papa”.

A resignação de Bento XVI, a 28 de Fevereiro, foi o tema central do debate desta quarta-feira na Renascença com D. Nuno Brás, Pedro Vaz Patto e Aura Miguel.