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M. Juan Ferrer Greneche

“A liturgia é como uma provocação à actual situação de desolação"

31 jan, 2013 • Aura Miguel

Entrevistado pela Renascença, o subsecretário do Vaticano da congregação para o Culto Divino e Sacramentos sublinha que a dimensão do sagrado através da liturgia pode ser "um canto de esperança à humanidade"

Em tempo de crise e medo pelo futuro, a liturgia da Igreja Católica é um forte sinal de esperança, diz o Monsenhor Juan Ferrer Greneche, que veio expressamente do Vaticano para proferir uma conferência esta quinta-feira, na Igreja de São Nicolau, em Lisboa, sobre a Sagrada Liturgia na vida da Igreja.

A iniciativa é das paróquias da Baixa-Chiado e integra-se nas comemorações dos 50 anos do Concílio Vaticano II. Entrevistado pela Renascença, o subsecretário da congregação para o Culto Divino e Sacramentos sublinha que a dimensão do sagrado através da liturgia pode ser hoje uma grande provocação.

“Neste deserto de Deus que é a cultura contemporânea da Europa, a liturgia, em especial, o seu espírito de adoração, de afirmação da primazia de Deus, é como um canto de esperança à humanidade”, diz Juan Ferrer Greneche.

“O Papa associa sempre o mistério da fé ao mistério da esperança: onde há fé, há esperança. Toda a liturgia é afirmação de fé e é testemunha, sinal visível da presença de Deus e da nossa fé n’Ele. Portanto, a liturgia é como uma provocação à actual situação de desolação para reconhecer que, para além das trevas, há uma luz e que, para além deste horizonte opaco de preocupação e medo pelo futuro, há uma esperança certa no amor de Deus redentor.”