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Crise também afecta comunidade judaica de Lisboa

26 dez, 2012 • Isabel Alves, Agência Lusa

Rabino tenta levar os seus fiéis a “ver o que temos de fazer daqui em diante, em vez de nos queixarmos do que aconteceu”.

Crise também afecta comunidade judaica de Lisboa
A caridade, à semelhança do que acontece no catolicismo e no islamismo, é também um pilar do judaísmo.

São cerca de 300 os judeus que compõem a comunidade israelita de Lisboa e o rabino da sinagoga da capital, Eliezer Shai Di Martino, explica à Lusa que a comunidade se distribui por “vários extractos sociais e económicos, portanto cada um sente a crise conforme o seu ‘status’”.

“Temos uma associação de beneficência aqui na comunidade, gerida por vários voluntários, cujo nome, traduzido literalmente do hebraico, quer dizer ‘aquele que ampara os caídos’. Ajudamos as pessoas em dificuldades económicas de diversas formas, conforme a necessidade”, disse o rabino.

Ajudam os mais idosos que já não podem cuidar de si e não têm meios para contratar um enfermeiro, ajudam empresários cujo negócio faliu, ajudam famílias que não têm como comprar comida e roupa e, por vezes, ajudam os desempregados a reentrar no mercado de trabalho.

Eliezer Di Martino faz questão de que as celebrações na sinagoga não sejam um momento de alheamento, e a crise, sob a forma dos problemas que afectam concretamente os fiéis, faz parte dos sermões.

“Nos meus sermões tento sempre falar de temas atuais. Aquilo que tento fazer é dar um tipo de apoio espiritual, tentar ensinar a abordagem judaica religiosa aos vários tipos de crises, tentar ver o que temos de fazer daqui em diante, em vez de nos queixarmos do que aconteceu”, especifica.