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César das Neves considera que o Papa “caiu no prato” de muitos que estão afastados

20 dez, 2012

Bento XVI assina, esta quinta-feira, um artigo de opinião sobre o Natal, no qual desafia os leitores a adoptar novos estilos de vida.

O economista João César das Neves considera que o Papa fez bem em escrever um artigo no “Financial Times”, esta quinta-feira, pois, assim, consegue chegar a um público que normalmente estaria afastado da Igreja.

“Chegou a muita gente a quem de outra forma não chegava. Muita gente vai viver o Natal afastada da Igreja, afastada do Papa, e, desta vez, inesperadamente, ele apareceu-lhes no prato, apareceu-lhes no jornal, apareceu-lhes na vida”, defende César das Neves. 

“Não sabemos o que Nosso Senhor fará com isto, o que é que essas pessoas serão interpeladas por este texto. Mas foi uma oportunidade e ele está a falar não para cristãos mas para aqueles que estão lá por outras razoes, mas a quem ele também tem algo a dizer”, considera.

O texto fala do Natal em tempos de austeridade. Bento XVI diz que esta é a altura dos cristãos repensarem o seu estilo de vida e lembra que é no Evangelho que podem encontrar inspiração para a vida quotidiana e para a sua actividade no mundo, incluindo no Parlamento e na bolsa.

“O Papa tem na sequência dos seus antecessores, aparecido como testemunha de Cristo nos sítios mais inesperados, mas sempre com a mesma atitude, nunca cedendo ao meio nem às pressões, mas afirmando sempre a sua doutrina e o seu testemunho das formas mais extraordinárias. Essa é a atitude que nos indica a todos nós, cada um no seu sítio, nós leigos que estamos metidos neste mundo, não nos deixarmos avassalar por aquilo que nos ataca e nos rodeia e nos seduz, mas irmos sempre sendo testemunhas de Cristo”, diz César das Neves.

A escolha do órgão de comunicação revela coragem, segundo o economista, mas o mais importante é a mensagem que Bento XVI transmite: “É a primeira vez que o Papa escreve num jornal, ainda por cima no ‘Financial Times’, que para alguns é maldito e no qual o Papa não desdenhou participar. Depois ele centra-se na questão decisiva que é uma mudança de atitude. Parte da expressão ‘dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’ para mostrar que vivemos no mundo, mas vivemos no mundo de outra maneira, que os cristãos têm de olhar para as suas realidades, seja o Parlamento ou na bolsa de valores, de uma maneira diferente. Não nos deixarmos prender nas ideologias nem nos ídolos, mas olharmos sempre para outra linha, sempre no mundo mas com outra atitude.”