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Cáritas Portuguesa

Refundação "reclama novos estilos de vida"

16 nov, 2012 • Paula Costa Dias

Mudança de vida deve começar por quem tem mais, defende o presidente da Cáritas Portuguesa, alertando para o facto de estarmos próximos de ver ultrapassada a fronteira do desrespeito pela dignidade humana.

Refundação "reclama novos estilos de vida"
O presidente da Cáritas Portuguesa defendeu, na abertura do Conselho Geral da Cáritas que começou esta manhã em Fátima, que a verdadeira “refundação” do país deve estar na mudança de estilos de vida, especialmente por parte dos mais favorecidos.

“A superação desta crise reclama novos estilos de vida, talvez esteja aí a verdadeira refundação exigida para o país", disse Eugénio da Fonseca, para criticar, de seguida, as desigualdades que se verificam: "Não devem ser nem sobretudo as classes pobres a cumprir esta obrigação, ela deve começar por quem aufere salários principescos, dispõe de mais de uma fonte de rendimento ou construiu ilegitimamente fortunas”. 

O presidente da Cáritas Portuguesa sublinhou que o actual quadro de carências constitui um risco, uma vez que estamos perto de ver ultrapassada a fronteira do desrespeito pela dignidade humana.
 
Eugénio da Fonseca salientou que aos pobres de sempre juntaram-se outros, de perfil diferente, que esperam do Governo e da sociedade respostas diferentes: “Hoje o risco de se pisar a fronteira da dignidade humana é muito maior. Os empobrecidos de hoje não pedem apenas pão. Querem, sobretudo, que os ajudemos a superar as causas que os obrigaram a cair nesta situação. Por isso, devem ser redobrados os cuidados no acolhimento e no atendimento de proximidade que fazemos”.

O desafio foi lançado às delegações das Cáritas, a quem se pede que se alarguem o leque de colaboradores e trabalhem em rede, de modo a conhecer melhor a realidade e a dar melhores respostas.