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Bispos defendem bem comum acima de individualismos pessoais

15 nov, 2012 • Paula Costa Dias

D. Manuel Clemente lamenta, por outro lado, que a "troika" nunca tenha querido ouvir a Igreja nem as instituições de solidariedade que estão no terreno a apoiar a população.

A Conferência Episcopal pede aos políticos mais diálogo e procura do bem-comum para que se ultrapasse a actual crise, frisou no final o vice-presidente da CEP, D. Manuel Clemente.

"Estamos todos no mesmo barco e só juntos é que chegamos a bom porto. Portanto que individualismos, que são espontâneos da parte de pessoas e sobretudo de grupos, não se sobreponham àquilo que é o bem comum", disse o Bispo do Porto.

Por outro lado, os bispos lamentam que a "troika" nunca tenha querido ouvir a Igreja nem as instituições de solidariedade que estão no terreno a apoiar a população.

"Também era bom que quem nos visita, acompanha e fiscaliza tivesse em linha de conta a sociedade portuguesa na sua pluralidade. Ficavam certamente com uma ideia mais correcta do que é o país. Não digo propriamente a Conferência Episcopal, mas as instituições de solidariedade, que estão no terreno e na resposta às situações e que têm conhecimento prático dessas situações, acho que tinha todo o cabimento", defende D. Manuel Clemente.

Quando questionado sobre o que diria aos elementos da "troika", o Bispo do Porto respondeu: "Nós somos um povo muito capaz de responder a desafios e que se formos mobilizados e esclarecidos, respondemos", mas deixou um apelo: "Não apertem demais, porque precisamos de respirar".

Nesta Assembleia Plenária os bispos aprovaram ainda duas notas pastorais. Uma em que reconhecem o papel desempenhado pelo Corpo Nacional de Escutas ao longo de 90 anos e outra em que elogiam a ação da Beata Maria do Divino Coração, que esteve na origem da consagração do mundo ao Coração de Jesus pelo Papa Leão XIII.