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Bispo de Beja critica os políticos por "fazerem leis para se protegerem"

31 out, 2012

D. Vitalino Dantas diz que "há muitos interesses instalados" e refere que "o povo só voltará a confiar nos políticos e na justiça quando os seus procedimentos se tornarem mais transparentes".

O bispo de Beja acusou os políticos de fazerem leis para se "protegerem" e de se deixarem "dominar por 'lobbies' poderosos" quando estão no poder, o que tem levado "muita gente" a deixar de "acreditar e confiar" neles.

“Muita gente deixou de acreditar e confiar nos políticos, porque, uma vez no poder, fazem leis para se protegerem e deixam-se dominar por 'lobbies' poderosos, que lhes prometem segurança, uma vez deixada a vida política”, refere D. António Vitalino Dantas, numa nota publicada no site da diocese de Beja.

"Há muitos interesses instalados", refere o bispo, defendendo que "o povo só voltará a confiar nos políticos e na justiça quando os seus procedimentos se tornarem mais transparentes e renunciarem a algumas benesses, que se foram acumulando ao longo dos anos e que contribuíram para aumentar o fosso das desigualdades".

Segundo D. António Vitalino Dantas, a "separação clássica" entre os poderes legislativo, judicial e executivo "não está a funcionar bem entre nós", porque "as pessoas passam de um para o outro e perdem a sua autonomia e liberdade".

"As democracias baseiam-se na autonomia destes três poderes", mas "hoje surgiram outros poderes, que se infiltram e os enfraquecem, como é o caso dos meios de comunicação, que alguns denominam de quarto poder", afirma o bispo, referindo que "ainda mais forte é, hoje, o poder financeiro, muitas vezes anónimo, sem atenção pela dignidade das pessoas e corrosivo dos valores morais".

Na nota, António Vitalino Dantas reage à palavra "refundação", a qual, considera, tem andado "na baila" após ter sido usada no sábado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a propósito do programa de assistência económica e financeira a Portugal.
 
"Afinal, de que precisa o nosso país? De uma refundação ou de uma organização mais transparente, participada e responsável? Queremos mais Estado ou mais iniciativa particular, mais impostos para alimentar um Estado absorvente e omnipresente ou menos carga fiscal com cidadãos mais intervenientes e co-responsáveis pelo bem comum?", questiona o bispo.

VD. italino Dantas mostra-se "convencido" de que "sem conversão pessoal e identificação com valores morais, que fomentem mais humanidade, mais verdade, mais respeito e amor uns pelos outros, mais igualdade e empenho pelo bem dos concidadãos, sobretudo os mais frágeis, não acertaremos o caminho para a construção de um país fraterno, com mais igualdade e livre de estruturas pesadas e escravizantes".