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Irão aperta o cerco a minorias religiosas

23 out, 2012

Cristãos e muçulmanos sunitas estão entre as comunidades perseguidas, mas os bahá’i são quem tem a vida mais difícil, alerta o relator especial das Nações Unidas.

Irão aperta o cerco a minorias religiosas
O Irão tem aumentado a perseguição às minorias religiosas, considera o relator especial das Nações Unidas para os direitos humanos no Irão, Ahmed Shaheed.

A situação é complicada para todas as minorias, incluindo cristãos e muçulmanos sunitas, que gozam de reconhecimento oficial, mas segundo Shaheed quem mais sofre são os fiéis da comunidade Baha’i, que não é reconhecida, sendo tratados como hereges.

“Globalmente diria que os Bahá’i são a minoria mais perseguida no Irão. O número de fiéis detidos tem aumentado e neste momento já ultrapassa a centena, de acordo com informações a que tive acesso. Eles enfrentam toda uma série de discriminações, desde não poderem praticar a sua fé à negação de uma série de serviços básicos”, disse Shaheed, adiantando ainda que muitas vezes os Bahá’i são acusados de serem uma ameaça à segurança nacional.

A religião Bahá’í nasceu na Pérsia no século XIX, fundada por Mírzá Husayn-'Alí, conhecido como Bahá'u'lláh, que significa “A Glória de Deus”. Ainda existem naquele país cerca de 300 mil seguidores, que constituem a maior minoria não islâmica do Irão.

O Irão é uma teocracia cuja religião de Estado é um ramo do Islão Xiita. O país permite um certo grau de liberdade de prática religiosa para comunidades tradicionais de cristãos, judeus e sunitas, mas não permite qualquer forma de proselitismo nem conversões do Islão para qualquer outra religião.

De fora ficam as igrejas evangélicas cristãs, que se têm multiplicado no país, mas que são ilegais. Segundo Ahmed Shaheed cerca de 300 cristãos foram detidos desde meados de 2010: “Actualmente andam atrás de convertidos. Aqueles que se convertem do Islão, por exemplo, para o Cristianismo, são perseguidos e aqueles que evangelizam também são perseguidos”, afirmou, num encontro promovido pela International Peace Institute, em Nova Iorque.

Sanções afectam direitos humanos
O relator especial para os direitos humanos no Irão, que é natural das Maldivas, mostrou-se também preocupado com os efeitos das sanções impostas pelos países ocidentais sobre aquele país, considerando que estas ameaçam os direitos humanos dos cidadãos.

“Há relatos de falta de bens que têm um impacto sobre a capacidade de as pessoas realizarem os seus direitos humanos básicos, por exemplo de medicamentos”, afirmou, salvaguardando que não pode falar com autoridade sobre este assunto sem fazer mais investigação.