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Maioria de judeus israelitas acredita que país pratica apartheid

23 out, 2012

Israel tem actualmente perto de oito milhões de cidadãos. A esmagadora maioria são judeus, mas há 20% da população constituída por cidadãos árabes, que se dividem entre muçulmanos e cristãos.

Maioria de judeus israelitas acredita que país pratica apartheid
Uma maioria significativa de judeus israelitas acredita que o país já pratica um sistema parcial de apartheid, o sistema utilizado pela África do Sul que mantinha uma estrita separação entre diferentes raças, com claro prejuízo para os não brancos.

Num inquérito feito pela New Israel Fund um total de 58% revelou acreditar que o país já pratica este sistema em relação aos árabes. 39% diz que tal se verifica em “alguns campos” da vida social e 17% que se verifica em “muitos campos”.

O inquérito revelou também que uma maioria dos judeus em Israel vê com bons olhos que o Governo descrimine contra os árabes no acesso a empregos nos ministérios do país e quase metade, 49%, é da opinião de que o Estado devia tratar os seus cidadãos judeus melhor do que trata os árabes.

Minorias significativas, de 42%, dizem que não gostariam de viver no mesmo edifício que um árabe e que não querem que os seus filhos tenham árabes na turma.

Caso fosse anexada 69% dos inquiridos considera que os árabes da Cisjordânia não deveriam ter direito a voto. O número desce para um terço na situação actual, para os árabes que vivem em Israel e são cidadãos do país.

Israel tem actualmente perto de oito milhões de cidadãos. A esmagadora maioria são judeus, mas há 20% da população constituída por cidadãos árabes, que se dividem entre muçulmanos e cristãos.

Caso o país anexasse a Cisjordânia e concedesse a nacionalidade israelita aos seus cidadãos esses números mudariam radicalmente, com um aumento de cerca de 2,5 milhões de árabes.

O estudo, revelado hoje no jornal Haaretz, analisa os resultados por grupos, distinguindo entre judeus ultra-ortodoxos, religiosos, seculares e “russos”, isto é, judeus que vieram de países do ex-bloco soviético. Destes, os ultra-ortodoxos são os mais favoráveis à discriminação anti árabe, com os russos a revelar índices mais baixos de racismo e discriminação.

O inquérito analisou um universo de 503 respostas e as perguntas foram desenvolvidas por um grupo de académicos activistas pela paz.