Tempo
|

Bispo português assume coordenação do património do Vaticano

18 out, 2012 • Domingos Pinto, com Ecclesia

D. Carlos Azevedo recebe novas competências após integração da Comissão Pontifícia dos Bens Culturais no Conselho para a Cultura  

Bispo português assume coordenação do património do Vaticano
O bispo português D. Carlos Azevedo vai assumir a coordenação do sector do património no Vaticano, revelou esta quinta-feira a Santa Sé, após Bento XVI ter unificado a Comissão Pontifícia dos Bens Culturais ao Conselho Pontifício da Cultura (CPC).

A mudança, decidida pelo Papa e comunicada através do documento (motu proprio) ‘Pulchritudinis Fidei’ (a beleza da fé), vai entrar em vigor no dia 3 de Novembro, alterando assim a organização da tutela do património histórico e artístico de toda a Igreja Católica.

D. Carlos Azevedo explica, em entrevista à Renascença, que uma das suas missões será “avaliar a aplicação dos documentos, entretanto publicados, relativos à catalogação, aos museus, às bibliotecas, aos arquivos”, por parte das dioceses.

Outro dos objectivos passa por “incentivar à leitura crente e teológica das obras de arte ao serviço da evangelização e ao serviço da espiritualidade”.

A música sacra é outro dos bens culturais da Igreja Católica. D. Carlos Azevedo vai formar “uma equipa que defenda e incentive a qualidade das músicas nas celebrações litúrgicas”.

Em tempo de crise, D.Carlos Azevedo olha para o património como um factor de desenvolvimento e emprego. Nesta entrevista à Renascença, alerta para os perigos na forma como o património é tratado em alguns países.

“Novo conceito de cultura”
A mudança no sector cultural da Igreja foi explicada pelo Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do CPC, em entrevista ao jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, publicada esta quinta-feira.

O cardeal italiano fala num “novo conceito de cultura” que exige uma “simbologia de conjunto” e um trabalho de salvaguarda dos bens culturais que leve a “desenvolver a sua valorização e utilização ao serviço da nova evangelização e da dimensão estética no pensamento contemporâneo”.

“É preciso evitar uma aproximação unicamente conservadora dos bens, é fundamental que haja uma fruição que gere prazer, que seja capaz de ‘encher os olhos’ a quem está habituado a ver só fealdade, edifícios horríveis e imagens banais”, acrescenta o presidente do CPC.

A Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja tinha sido instituída por João Paulo II em 1993, 11 anos depois da criação do Conselho Pontifício da Cultura, pelo mesmo Papa.

“A unificação dos dois organismos sela assim um percurso de convergência - realizado também nas legislações de muitos países - rumo a uma visão cultural ampla e diversificada na sua estrutura e unidade orgânica, na qual o extraordinário património histórico e artístico da Igreja recebe um lugar mais digno nas actividades culturais promovidas pela Santa Sé”, explica um comunicado do CPC, publicado na página do organismo do Vaticano na internet.

D. Carlos Azevedo foi nomeado por Bento XVI como delegado do Conselho Pontifício para a Cultura no dia 11 de Novembro de 2011.

[notícia actualizada às 23h05]