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Auto-imolações são expressão de liberdade, diz primeiro-ministro tibetano

26 jun, 2012

Lobsang Sangay espera que novos governantes da China tragam uma nova perspectiva e “melhores dias” para o povo tibetano.

O primeiro-ministro do Tibete, Lobsang Sangay, considera que a onda de auto-imolações entre tibetanos é uma forma desesperada de expressar a liberdade.

Em entrevista ao jornal australiano Sydney Morning Herald, Sangay disse que o acto, que já foi praticado por perto de 40 pessoas, deve ser lido também pelo espectro político.

“Não é apenas um acto desesperado, é um acto político. Os protestos e encontros pacíficos não são permitidos. Os recados que deixam dizem sempre que desejam a liberdade”.

Segundo Sangay, que substituiu o Dalai Lama no que diz respeito aos assuntos políticos do Governo tibetano no exílio, as próprias imolações são um grito de liberdade: “São de certa forma uma declaração de liberdade – ‘podem restringir a minha liberdade, mas posso escolher morrer como quero’”, explicou.

Lobsang Sangay explicou que a situação no Tibete piorou substancialmente desde as revoltas de 2008 em Lhasa, capital do Tibete. Hoje, explica, “tem havido uma intensificação da campanha para demonizar o Dalai Lama”. As autoridades chinesas obrigam as pessoas a insultar o líder espiritual dos budistas tibetanos, ou a pisar as suas fotografias, diz.

“É por isso que os tibetanos têm recorrido a estes actos tão drásticos.”

A posição do Governo tibetano no exílio tem sido de respeitar a memória dos que se imolam, muitos dos quais chegam mesmo a morrer. Contudo, o Dalai Lama tem apelado a que os seus fiéis não recorram a esta forma de protesto. “Pedimos repetidamente para que não pratiquem estes actos drásticos, incluindo a auto-imolação, mas continuam a fazê-lo”, diz Sangay.

Na entrevista, o primeiro-ministro do Tibete manifesta esperanças de que o novo Executivo chinês, que deverá tomar posse no final deste ano, traga uma nova atitude em relação ao Tibete. “Espero que, com pessoas novas, haja uma nova perspectiva em relação ao Tibete, espero que tenhamos melhores dias pela frente”.