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Uma economia cristã é possível e necessária

01 jun, 2012 • Filipe d'Avillez

D. Jorge Ortiga, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, pede aos participantes no congresso da ACEGE que tenham coragem de viver o amor ao próximo como critério de gestão.

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social diz que mundo da economia e os valores cristãos podem parecer incompatíveis, mas, na verdade, não o são.

D. Jorge Ortiga reage deste modo, em declarações à Renascença, à escolha da temática do amor ao próximo como critério de gestão, que preside ao 5.º Congresso da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), que decorre hoje e amanhã, em Lisboa.

“Nos tempos que correm, verificamos que o mundo da economia envereda por outros parâmetros, orientado para o lucro e para a vantagem pessoal. Cada um trabalha para acumular o mais que pode e, tantas vezes, infelizmente, dos modos e maneiras menos adequados”, adverte D. Jorge, sublinhando que, em todo o caso, a realidade não tem que ser assim.

“O Cristianismo, como mensagem que é, tem sempre algo de novo e, às vezes, até escandaloso para propor. A norma do amor ao próximo deve permear todas as realidades humanas. Com ousadia, com algum atrevimento, mas, sem dúvida, também como critério para a resolução de muitos problemas”.

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social garante que já existem alguns exemplos que podem ser seguidos: “Existem várias experiências no nosso país de economia de comunhão, em que a comunhão é o que articula os diversos dinamismos da vida interna de uma empresa. Se efectivamente há muitos que continuam apegados ao lucro e só ao interesse, há outros que pensam no bem-estar dos seus trabalhadores, repartindo os lucros com eles, criando condições de trabalho dignas, para que o rendimento seja o maior possível e haja vantagem para todos”.

D. Jorge Ortiga, que é também Arcebispo de Braga, considera que o congresso da ACEGE surge num momento, e com um tema, muito oportunos: “Este congresso pretende dizer que não só é possível amar o próximo, também neste mundo complicado da economia e gestão, mas que é absolutamente necessário”. Por isso é importante que não os participantes nos trabalhos não fiquem só pelas teorias “Será uma reflexão, uma interpelação a muitos empresários, um pôr em comum de experiências concretas, não só teorias e discursos, em que na verdade o amor ao próximo, vivido à letra, não só não prejudica a empresa como a pode enriquecer e fazer com que quem trabalha sinta entusiasmo para trabalhar mais e melhor”.