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Yom Huledet Same'ach! Comunidade judaica de Lisboa faz 100 anos

31 mai, 2012

Comunidade assinala hoje o seu centenário, com os olhos postos no próximo, garante Esther Mucznik.

Yom Huledet Same
Quem passar hoje perto da Sinagoga de Lisboa poderá muito bem ouvir cantar 'Yom Huledet Same'ach!", ou "Parabéns a vocês", em hebraico.

Foi há precisamente um século que, pela primeira vez, a Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) foi reconhecida legalmente pelo Governo português, mais especificamente através do reconhecimento dos seus estatutos por um alvará do Governo Civil de Lisboa.

A comunidade em si, evidentemente, tem raízes mais profundas: “Esta comunidade é datada do início do século XIX, quando começaram a chegar judeus de Marrocos e de Gibraltar que se instalaram em Lisboa. Começaram a organizar-se e integraram-se muito bem na sociedade lisboeta daquela época”, explica Esther Mucznik, dirigente da CIL.

Foi, contudo, necessário esperar pela implantação da República e a primeira lei de liberdade religiosa para que a comunidade pudesse ser reconhecida formalmente. Um reconhecimento que lhe deu outra vitalidade: “Comemoramos a liberdade religiosa, a vitalidade que a comunidade passou a conhecer depois de poder actuar às claras, a fidelidade da nossa comunidade aos princípios do Judaísmo e à vida judaica, e celebramos estes 100 anos com os olhos postos nos próximos 100 anos”.

A data será assinalada esta tarde com um evento na sinagoga de Lisboa, que por razões de segurança é aberta apenas aos membros da comunidade e a convidados. Entre os que receberam convite para participar incluem-se várias figuras públicas: “Convidámos todos os Presidentes da República vivos, ministros, uma série de entidades oficiais, confissões religiosas que estão em Portugal, os amigos da comunidade”.

“A cerimónia vai ter as mensagens dos diferentes representantes oficiais da comunidade e vai ser distribuída uma brochura com a história dos 100 anos da comunidade. É uma cerimónia simples, simbólica, vai ter também os salmos que serão lidos pelo rabino da comunidade e esperamos mensagens dos ministros que vão estar presentes, do presidente da Câmara de Lisboa, do secretário de Estado da Cultura também”, explica ainda Esther Mucznik, dirigente da CIL.

Os festejos previstos para assinalar esta data não impedem a comunidade judaica de mostrar preocupação pelo futuro. A experiência ensina-lhes que a liberdade religiosa é um bem precioso, mas também frágil. “Temos de estar sempre vigilantes porque a liberdade é um bem muito precioso, demasiado precioso para ser deixado assim sem nos preocuparmos com isso. É um processo”, considera.

A Comunidade Israelita de Lisboa é composta por cerca de 500 pessoas, mas há mais judeus na cidade, que não estão necessariamente inscritos: “Finalmente temos também os descendentes dos antigos cristãos novos e que se consideram judeus. Por isso é que nos censos há sempre muito mais pessoas que se consideram judias do que os filiados nas próprias comunidades”, diz Esther Mucznik.