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Papa fala da sua dor pelo caso "Vatileaks"

30 mai, 2012

Bento XVI criticou as distorções da imprensa e reafirmou a confiança nos seus colaboradores.

Papa fala da sua dor pelo caso "Vatileaks"
O Papa falou esta quarta-feira, pela primeira vez, sobre o escândalo das fugas de documentos e de informação que tem abalado o seu pontificado e que já é chamado "caso Vatileaks".

Bento XVI dirigia-se aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a habitual audiência-geral das quartas-feiras e revelou que esta fase tem sido dolorosa: "Os factos ocorridos nestes dias acerca da Cúria e dos meus colaboradores provocaram tristeza no meu coração, mas jamais se ofuscou a certeza convicta de que, não obstante a fraqueza do homem, as dificuldades e as provações, a Igreja é guiada pelo Espírito Santo e o Senhor nunca deixará de oferecer a sua ajuda para ampará-la no seu caminho". 

O Papa criticou também a imprensa, que terá apresentado uma imagem distorcida de toda a situação: "Todavia, multiplicarem-se ilações amplificadas por alguns meios de comunicação completamente gratuitas e que foram além dos factos, oferecendo uma imagem da Santa Sé que não corresponde à realidade".

Bento XVI reafirmou a sua confiança nos seus mais próximos colaboradores: "Por isso, desejo renovar a minha confiança e o meu encorajamento aos meus mais estreitos colaboradores e a todos aqueles que quotidianamente com fidelidade, com espírito de sacrifício e no silêncio, me ajudam na realização do meu ministério”.

Desde o início do ano uma série de documentos e cartas confidenciais tem vindo a público, nomeadamente na imprensa italiana, revelando a existência de conflitos internos na cúria romana, alguns envolvendo colaboradores próximos de Bento XVI.

Na passada sexta-feira, o mordomo do Papa, que o acompanhava sempre e tinha acesso aos seus aposentos privados, foi detido na posse de uma grande quantidade de documentos.

Ontem, numa entrevista ao jornal do Vaticano ‘L’Osservatore Romano’, o número três da hierarquia do Vaticano, o vice-secretário de Estado Giovanni Angelo Becciu, disse que o “ataque” que o Papa sofreu com este caso foi “muito violento”, sobretudo “por se tratar de uma vil afronta à relação de confiança entre Bento XVI e quem se lhe dirige”, sobretudo no caso da correspondência.

“Não se roubaram apenas documentos ao Papa; violou-se a consciência de quem se dirige a ele como Vigário de Cristo, e atentou-se contra o ministério do Sucessor do apóstolo Pedro”, considera o bispo.

[Notícia actualizada às 11h53]