Tempo
|

Por quem os sinos não dobram

28 mai, 2012

Com várias centenas de quilos, os sinos de Igreja são alvo apetecível para ladrões e podem render milhares de euros.

Por quem os sinos não dobram
O furto de metais pode deixar aldeias sem ouvir tocar o sino da igreja. Em Peniche, a paróquia retirou um sino secular da torre da igreja, de onde ia sendo furtado a 20 metros de altura, e colocou-o no museu.

"Uma vez que é um sino secular, achámos por bem expô-lo no centro interpretativo, em vez de o deixar na torre sujeito a outros perigos", afirma Gianfranco Bianco, pároco na Atouguia da Baleia.

Neste caso, o sino de bronze, datado de 1891, há muito que tinha deixado de tocar a partir do alto da torre direita da Igreja da Nossa Senhora da Conceição, por estar rachado.

Contudo, a necessidade de preservar o património levou a paróquia a colocá-lo a salvo.

O dinheiro que os duzentos quilos de bronze iriam render levou vários suspeitos a engendrar o seu furto, na madrugada de 11 de Abril, subindo a cerca de 20 metros de altura à torre da igreja, por meio de uma escada rudimentar que construíram, depois da tentativa falhada de entrarem através de uma janela da igreja.

O sino acabou por cair dessa altura, provocando ao cair no chão um estrondo, acordando os vizinhos que, por sua vez, alertaram a GNR.

"Como o objectivo não era guardá-lo, mas antes derretê-lo, os duzentos quilos de bronze iriam render muitos milhares de euros", refere o pároco que, apesar de admitir que o risco de furto existe em qualquer igreja, espera que "os sinos nunca deixem de tocar nas igrejas das aldeias por terem sido roubados" e pediu, por isso, o reforço da sustentação dos outros dois, ainda em uso.

"Os dois sinos não estão mecanizados e são tocados à mão e, quando há festa, tocam a repique.

É uma tradição que espero que se mantenha", sublinha.

O sino está agora em exposição no Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia, fazendo parte do espólio histórico da freguesia.