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“É preciso promover a inclusão do doente mental”

24 mai, 2012 • Domingos Pinto

Nova responsável mundial das Irmãs Hospitaleiras é portuguesa e tem apenas 47 anos.  

“É preciso promover a inclusão do doente mental”
A portuguesa Anabela Carneiro é a nova responsável mundial das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, uma congregação especializada em saúde mental.

Com apenas 47 anos, a religiosa foi escolhida no capítulo geral que esta congregação religiosa está a realizar em Roma.

Numa primeira reacção a esta eleição, Anabela Carneiro, que nasceu na Póvoa do Varzim, diz que quer ver congregação alargar o seu espaço de acção para além da Europa e deixa um recado aos líderes políticos: É preciso uma visão mais inclusiva do doente mental.

Entre os objectivos internos, a nova responsável quer expandir ainda mais a congregação: “Aquilo que representa para mim é a possibilidade de me pôr ao serviço da missão que temos no mundo, concretamente no mundo da saúde mental. Leio isto como aquilo que é a realidade da congregação, que está a deixar um rosto que era mais europeu e está-se a abrir a outras culturas e outros países também.”

Outras prioridades incluem a revitalização da ordem e o anúncio do carisma aos jovens: “Há uma prioridade que é revitalizar a nossa vida como pessoas consagradas, depois a nossa vida comunitária e sentirmo-nos enviadas à missão, o anunciar o carisma aos jovens e colaboradores, continuamos a ser essa presença junto daqueles que são os mais excluídos da sociedade, os que sofrem de doença mental”.

A doença mental não pode ficar á margem das opções dos Governos, uma crítica que a irmã Anabela Carneiro deixa aos líderes políticos: “A pessoa com doença mental continua a ser posta à margem, na Europa há uma mentalidade mais integradora, embora depois, a nível das acções politicas e sociais essa mentalidade pode não ter tanta repercussão na prática. Continuaremos ao lado dos doentes para que aquilo a que têm direito seja reconhecido”.

Mas este é também um recado para consumo interno: “É necessário também mudarmos a nossa visão em relação ao doente, e termos uma visão mais integradora e inclusiva, estar mais ao lado de quem tem uma patologia mental.”