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Papa pede aos cristãos de todo o mundo que rezem pelos católicos chineses

24 mai, 2012 • Ângela Roque

Iniciativa de Bento XVI assinala-se desde 2007. Calcula-se que haja entre 8 milhões a 12 milhões de católicos chineses.

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A data para este Dia Mundial de Oração não foi escolhida ao acaso: 24 de Maio é o dia da Festa Litúrgica de Maria Auxiliadora, venerada com grande devoção na China, nomeadamente no Santuário mariano de Sheshan, em Xangai, explica a jornalista da Renascença Aura Miguel.
 
"Um amigo meu esteve lá o ano passado e ficou impressionado com a devoção profunda daquele povo. O santuário está num monte e até lá há imensas capelas, tipo via sacra, e imensa gente. Para se chegar lá, tem de se ir a pé - não é permitido ir de carro. Quando ele chegou, já estava uma multidão dentro da Igreja e ainda nem era a festa - faltavam dois dias. E, ainda por cima, quando ele chegou estavam a cantar o avé de Fátima", conta Aura Miguel.

A situação dos católicos chineses esteve em destaque no debate desta quarta-feira na Renascença, com os participantes a sublinharem a hipocrisia dos países ocidentais que continuam a fechar os olhos à violação dos direitos humanos e da liberdade religiosa na China, sobretudo na hora de fazer negócios.

Para o juiz Pedro Vaz Patto, essa hipocrisia foi bem notória no recente caso do dissidente chinês que chegou no fim-de-semana aos Estados Unidos, porque os americanos concederam-lhe asilo político, mas não falam do facto de ter sido perseguido porque contestou a política do filho único na China.
 
"Uma coisa é dar asilo político, outra é estar atento ao que ele denunciou - a política do filho único, que implica abortos forçados. Mas os estados ocidentais e até a ONU fecham os olhos a isso", afirma o juiz.

Calcula-se que haja entre 8 milhões a 12 milhões de católicos chineses, divididos entre a igreja clandestina - fiel a Roma e ao Papa - e a igreja "oficial", criada pelo próprio regime.

Ainda em Abril, o Vaticano voltou a condenar a perseguição que continua a ser feita a padres e bispos na China.

Pedro Vaz Patto não tem dúvidas de que a China "não deixou de ser um estado totalitário que quer dominar todos os âmbitos da sociedade a partir do âmbito mais íntimo, que é o da consciência das pessoas. "Mas a questão da igreja católica é mais difícil de dominar pela sua dimensão universal", acrescenta.