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Obama tenta segurar líderes religiosos afro-americanos

14 mai, 2012

Depois de anunciar que apoia o “casamento” entre homossexuais, Barack Obama telefonou para oito pastores negros numa tentativa de não perder votos em Novembro.

Obama tenta segurar líderes religiosos afro-americanos
A Administração de Barack Obama está preocupada com os efeitos do anúncio, feito a semana passada, de que o Presidente norte-americano considera que os homossexuais devem ter o direito de casar.

A declaração de Obama foi fortemente criticada por grupos religiosos, sobretudo de comunidades mais conservadoras. Mas em ano de eleições o que mais preocupa o Presidente é o potencial custo que a sua tomada de posição pode ter entre a comunidade afro-americana, que tradicionalmente vota no Partido Democrata mas que é tendencialmente contra a alteração do conceito tradicional do casamento.

Na mesma tarde em que as declarações de Obama foram para o ar, o Presidente fez uma chamada de conferência com oito líderes religiosos da comunidade negra, para tentar garantir o seu apoio em Novembro.

Segundo o pastor Delman Coates, um dos poucos pastores negros que apoia publicamente o “casamento” entre homossexuais e que estava entre os oito que receberam o telefonema do Presidente, a maioria dos envolvidos aceitou trabalhar “activamente” na campanha de Obama, mas outros não se deixaram convencer: “Há pessoas que estão a ter grandes dificuldades com este assunto”, afirmou.

O gesto de Obama parece dever-se mais a cálculos políticos do que preocupação religiosa, uma vez que o Presidente não teve a mesma preocupação em contactar líderes de outras instituições, como por exemplo a Igreja Católica. Fonte do gabinete do Arcebispo de Nova Iorque, Timothy Dolan, que é presidente da Conferência Episcopal Americana, revelou ao jornal "New York Times" que ninguém da Casa Branca ligou para falar com o arcebispo.

Por outro lado as forças conservadoras estão a tentar tirar proveito das palavras de Obama. Em declarações feitas a um programa da cadeia de televião CNN, o presidente da organização conservadora "Family Research Council" disse que esta era uma posição pela qual Obama poderia vir a pagar caro: “Tenho recebido telefonemas de pastores de todo o país, brancos e negros, que me têm dito que já não estão dispostos a ficar à margem deste debate”.

O tema do casamento promete ser um dos pratos fortes das eleições de Novembro. Contudo os republicanos poderão não querer levantar demasiado a questão, dada a identidade religiosa do seu candidato. Mitt Romney pertence à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como a Igreja Mórmon, que durante largos anos após a sua fundação aceitava e promovia a poligamia.

Embora a Igreja Mórmon oficial tenha colocado essa doutrina de lado em 1890, a sua prática continua entre seitas fundamentalistas, que se separaram pela mesma altura. A questão da poligamia continua a ser um assunto complexo para a Igreja Mórmon e os seus membros, e um dos principais obstáculos à sua aceitação social.