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Fátima

Cardeal Ravasi apela a fiéis que “sujem as mãos” para ajudar

13 mai, 2012

O corpo, “uma arquitectura admirável, que tem no rosto a via para se abrir ao mundo e ao próximo”, foi o centro da homilia presidida pelo cardeal italiano em Fátima.

Cardeal Ravasi apela a fiéis que “sujem as mãos” para ajudar
Cardeal Ravasi apela a fiéis que “sujem as mãos” para ajudar
Num momento de crise, o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, apelou, esta manhã, em Fátima, aos milhares de fiéis presentes que "sujem as mãos" na ajuda aos "miseráveis da terra”. Tal como previsto pela organização, este ano registou-se uma enchente para as cerimónias da peregrinação aniversária do 13 de Maio, com fiéis a concentrarem-se bem além dos limites do Santuário.
Num momento de crise, o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, apelou, esta manhã, em Fátima, aos milhares de fiéis presentes que "sujem as mãos" na ajuda aos "miseráveis da terra”.

“Fazer, operar é o verbo típico das mãos. Não devemos ter medo de sujar as mãos, ajudando os miseráveis da terra. Para que servirá ter as mãos limpas, se as temos no bolso?”, questionou, apelando a uma “fraternidade operativa”.

D. Gianfranco Ravasi presidiu este ano às cerimónias da peregrinação aniversária de Fátima. Na homilia, centrou-se no corpo, focando vários aspectos e apresentando uma reflexão sobre a sua simbologia.

O corpo, considerou, é mais do que “um aglomerado de células”, tendo capacidade para comunicar “a alegria e o amor” e “também a dor e o ódio”, num “um santuário que pode ser dessacralizado pelo pecado”.

“Infelizmente, na sociedade contemporânea são os corpos sem alma a dominar, tornando-se carne sem espírito, ora adorada ora desprezada”, alertou, contrapondo com a “arquitectura admirável, que tem, sobretudo no rosto, a via para se abrir ao mundo e ao próximo”.

O cardeal italiano alertou também para a inconsistência da cultura actual e lembrou os sofrimentos da humanidade. A cultura contemporânea “é muitas vezes fluida, inconsistente, semelhante a uma neblina que não conhece pontos firmes morais e luzes de verdade”, defendeu.

Tal como previsto pela organização, este ano registou-se uma enchente para as cerimónias da peregrinação aniversária do 13 de Maio, com fiéis a concentrarem-se bem além dos limites do Santuário.

Os parques de estacionamento esgotaram a capacidade e a GNR foi obrigada a arranjar alternativas.

A peregrinação internacional, que evoca o 95.º aniversário da primeira aparição da Virgem Maria na Cova da Iria, tem como tema “Eis a serva do Senhor”. A missa foi concelebrada por 22 bispos e 265 sacerdotes.