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Há um défice de silêncio

11 mai, 2012

D. Pio Alves lembrou a importância da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.

O presidente da Comissão Episcopal para as Comunicações Sociais, D. Pio Alves de Sousa, disse, ontem, na apresentação da mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se comemora no dia 20, que existe um défice de silêncio, de repouso e de pensamento.

D. Pio sublinhou a importância da mensagem do Papa, este ano intitulada “Silêncio e palavra: caminho de evangelização”.

“A mensagem faz todo o sentido porque nós estamos invadidos por palavras, imagens e sons e a pessoa que recebe as imagens, palavras e sons deve fazer um esforço para saber distinguir o que vale e o que não vale mas, se esse trabalho for feito previamente por um comunicador, está a prestar um excelente serviço à sociedade, mas compreendo que não seja nada fácil por toda a pressão a que está submetida a comunicação social”, disse o também Bispo Auxiliar do Porto.

D. Pio Alves de Sousa considera que a questão do silêncio tem a ver com jornalistas e não só: “Há uma urgência ao nível do mundo das comunicações sociais, como é uma urgência ao nível da comunicação em geral. Penso que a nossa civilização tem um claro défice de silêncio, de serenidade, de repouso, de pensamento e, portanto, esta aplicação que o Santo Padre faz nesta mensagem é uma aplicação concreta ao panorama global da necessidade de silêncio e de reflexão”.

Também presente na sessão de apresentação, o director no grupo Impresa, Henrique Monteiro, também pôs o dedo na ferida: “Nós não sabemos tudo. Há uma resposta pseudo-científica que se mistura com a verdade indiscutível, há a posição agnóstica, há tudo, mas há a resposta primordial da Filosofia: ‘Quem somos, de onde vimos e para onde vamos?’ e a verdade é que, se nunca nos interrogarmos com isso, nunca viveremos e para a maioria das pessoas com quem trabalho, que são jornalistas, as respostas ou não existem ou já estão dadas e esse para mim é o problema maior”.

Já a irmã Maria Albertina, que vive há muitos anos uma vida de silêncio, deu uma grande lição: “Senti a mensagem do Papa que importantíssima e de uma riqueza impressionante. Toca um tema central, na dificuldade que se pode sentir o silêncio, termos a capacidade de parar, de limitar comunicações, ter a capacidade de dizer não, parar mesmo e reflectir”.