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“Esta é a hora dos cristãos”, diz Núncio Apostólico na Síria

19 mar, 2012

Monsenhor Mario Zenari fala de uma sociedade cada vez mais fragmentada e desafia os cristãos a mobilizar-se para testemunhar a caridade.

“Esta é a hora dos cristãos”, diz Núncio Apostólico na Síria
Cristaos na Siria
O Núncio Apostólico na Síria considera que está chegada a altura dos cristãos se mobilizarem no país. O estado de desagregação a que chegou a nação exige um testemunho de caridade, considera monsenhor Mario Zenari.

“Há um lugar para os cristãos e eles não se podem dar ao luxo de perder a oportunidade. Não há dúvida de que a Síria está a mudar, começou um novo processo e agora não há maneira de voltar atrás”, declarou o Arcebispo Mario Zenari, entrevistado pela agência AsiaNews.

Os cristãos, que foram cerca de 10% da população síria, tem sido cautelosos na forma como abordam a “Primavera Árabe”. Muitos continuam a apoiar o regime, temendo o caos que se poderá seguir caso este caia. Os líderes cristãos têm apelado continuamente, porém, a um entendimento e ao fim da violência.

O núncio alerta para o perigo de uma colagem ao actual regime, avisando que os cristãos não devem “encostar-se a uma parede que se desmorona. Mas também não podem ficar parados a olhar pela janela. Os cristãos estão na sociedade e devem arregaçar as mangas”.

Neste sentido os cristãos beneficiam de uma forte elite, explica o arcebispo. Mas mesmo nas aldeias, segundo Mario Zenari, os cristãos funcionam como uma ponte entre os diferentes grupos étnicos: “Nós, cristãos, temos a obrigação de contribuir para a reconciliação entre os grupos que vivem no país. Corre a ideia de que o destino dos cristãos sírios será igual ao Iraque. Mas a Síria não é o Iraque, nem o Egipto, tem as suas próprias características, com tradições de tolerância”.

Em termos da situação do país monsenhor Mario Zenari explica que as divisões entre os sunitas, que formam a esmagadora maioria da população, e os alauítas, que são apenas cerca de 12% mas controlam os aparelhos do Estado, se aprofunda cada vez mais: “Estamos a caminhar sobre brasas que podem acender-se a qualquer momento. Da nossa parte temos de testemunhar a caridade. Este é o momento dos cristãos, devemos agir e partir ao ataque em defesa da dignidade humana. É importante não perder este momento histórico”, considera.